Por Cirilo Dias
Na última sexta-feira (1º de junho), grunges enflanelados brotaram dos mais variados lugares para se concentrarem em frente ao Clash Club, na Barra Funda. O motivo? Mudhoney. Mark Arm, vocalista da banda, teve uma hora e meia para gritar e levar a molecada presente – e também alguns vários marmanjos – ao êxtase. E conseguiu. Se a imensidão do estádio do Pacaembu e o fato de abrirem o show do Pearl Jam em 2005 ofuscou a energia da banda, o espaço para mil pessoas do Clash Club desta vez se mostrou pequeno. Os fãs do Mudhoney correspondiam à altura. Depois de tentarem a todo momento escalar sem sucesso as torres de som, a solução foi o famoso crowd surfing (surfar na galera) para delirar. E na hora do hit “Touch I´m sick”, os amplificadores e guitarras já estavam em segundo plano, tamanha a empolgação do público que cantava em uníssono. Já aqueles que resistiram até o bis final puderam conferir a inédita “New meaning”. Em uma semana repleta de shows como Four Tet e BellRays, o grupo de Seattle definitivamente estampou o começo do mês de junho de xadrez. Antes da farra, Mark Arm e Steve Turner toparam uma entrevista para o site da Trip. Só não insistimos em uma análise sobre a banda Cansei de Ser Sexy, pois Mark diz ser apenas o cara que cuida do depósito de discos da gravadora Subpop [selo que passa a distribuir os discos do CSS]. O que é uma pena, pois os caras conseguiram provar que ainda entendem tudo de música.
Você já esteve aqui no Brasil com o MC5, abrindo o show do Pearl Jam, e agora veio de novo com o Mudhoney. O que tem de tão especial aqui?
Mark – As pessoas aqui são incríveis e os shows são sempre bons. A melhor lembrança que tenho daqui foi ir andar de skate com Jeff Ament (Pearl Jam) e ir surfar no mesmo dia. Nada relacionado à música.
Steve – Eu lembro de quando estávamos em algum skate park aqui de São Paulo, os jornalistas ficavam lá, parados, esperando a gente fazer alguma manobra.
Por que optaram por lançar em LP o último disco de vocês? [Under A Billion Suns (2006)]. Vocês acreditam que o formato CD está com os dias contados?
Mark – Preferimos lançar em LP para as pessoas terem um belo disco, com uma arte caprichada. Mas isso não impede as pessoas de colocarem as músicas no CD, ou então na Internet.
E sobre baixar MP3 do Mudhoney? Vocês são a favor?
Mark – Não tenho nada contra. Eu mesmo tenho um iPod, baixo músicas, empresto músicas, pego os discos do Steve e coloco no meu iPod.
Steve – …Eu gosto de qualquer tipo de distribuição de música que tire dinheiro das grandes gravadoras. (ri)
Muitos ainda acham que a Subpop é um selo exclusivamente de bandas grunge. E agora, com o sucesso do CSS (Cansei de Ser Sexy), isso não causa uma certa confusão nas pessoas?
Mark – O CSS não é a principal banda da Subpop. A principal banda é o The Shins, depois vem o Postal Service. E a Subpop deixou de ser um selo de grunge desde 1992. Temos em nosso catálogo até bandas de lounge music. Sabe aquele tipo de música paara você beber martinis, fumar charutos?
Steve – Acho até que nós somos a última banda grunge da Subpop.
Vocês devem estar meio fartos dessas pessoas que perguntam só sobre o CSS aqui no Brasil, não?
Mark – Eu acho que, das entrevistas que dei até agora, 70% dos jornalistas me perguntam sobre o CSS. Sabe, eles estão se dando muito bem na Inglaterra, mas eu sou apenas o cara que cuida do depósito de discos na Subpop. Eu não vou à maioria dos shows, não assino com artistas. Na verdade, passo a maior parte do tempo em casa, com minha esposa, meu cachorro, assistindo TV.
