Ícone do site Trip | Conteúdo que transforma

Nem sempre o santo ajuda

Enquanto você lê estas linhas, a bagunça toma conta do acampamento base do Everest. Foi oficialmente aberta a temporada de caça ao cume 2003, e equipes do mundo inteiro – alpinistas profissionais, amadores, sherpas e até esportistas eventuais (porque, afinal, hoje em dia a jornada rumo ao cume já pode ser chamada de expedição e, para estar apto a enfrentá-la, basta estar disposto a gastar milhares de dólares) – preparam-se para o ataque.

É em abril que as equipes começam a se aclimatar na base da montanha. Mas esta não é uma temporada como as outras. Trata-se da comemoração dos 50 anos que a maior montanha do mundo (8.850 m) foi finalmente vencida por um ser humano. Em maio de 1953, sir Edmund Hillary e o sherpa Tensing Norgay ganharam notoriedade ao fincarem seus pés no cume e voltar para contar a história.

Desde então, vários outros homens e mulheres já chegaram lá e, mais recentemente, um frenesi de tentativas tomou conta do Everest. O homem mais velho, o mais novo, um deficiente visual, um deficiente físico, a primeira mulher, o primeiro a subir e descer esquiando… Todos os recordes parecem já ter sido batidos. E é quando isso acontece que os recordes começam a ser novamente batidos.

É o que pretende fazer o americano Dick Bass, 73. Se ele chegar lá, será o mais novo homem mais velho (sem trocadilho) a ter vencido o Everest. O projeto de Bass, na verdade, faz parte da expedição “Gerações no Everest” e contará com a participação de Jess Rosskelley, 20, Jim Wickwire, 62, e John Rosskelley, 54.

Se tiverem sucesso, Bass escreverá seu nome como o mais antigo ser humano a colocar os pés no topo do mundo, e Rosskelley, como o mais jovem americano a fazer a mesma coisa. Mas, ao contrário de Rosskelley, Bass não é estranho a pioneirismos. Em 1985, ele foi o primeiro alpinista a completar o que hoje se conhece como “sete cumes”, ou os sete picos mais altos de cada continente.

Já Stephen Koch, 34, pretende descer os 9 mil pés verticais da face norte da maior parede de gelo do mundo. A tarefa, todos sabem, de simples não tem nada. Em 2001, o francês Marco Siffredi se tornou o primeiro a descer o Everest de snow pela rota usada por alpinistas amadores. Ano passado, o mesmo Siffredi ia tentar repetir a dose, mas morreu quando descia.

Ele sabe que existe apenas uma coisa que tem que evitar a todo custo a partir do momento que chegar no topo do mundo e se lançar em ar rarefeito: cair. Se ele perder o equilíbrio, acaba ali a aventura – na parede vertical de gelo da maior montanha do mundo, não haverá nada para pará-lo.

Atrás de Koch estarão sete montanhistas americanos que escalarão sem oxigênio, carregando seus esquis e, ao chegar lá em cima, pretendem deslizar montanha abaixo, no que será a maior descida coletiva em esquis da história da montanha. Na outra face da montanha, a expedição “Everest50”, organizada por franceses, irá refazer as pegadas dos dois pioneiros e, durante a ascensão, resgatar o aspecto místico e reflexivo que eles supõem que um feito como esse deva ter.

A idéia é recuperar o espírito e os verdadeiros motivos da escalada ao topo do mundo. A expedição pretende ainda homenagear a coragem e o profissionalismo dos sherpas. Fora esse fuzuê todo, festas e mais festas acontecerão no acampamento base, em Katmandu, em aldeias no Himalaia e até em São Francisco, na Califórnia.

Tudo para comemorar 50 anos de pioneirismo. Resta apenas saber o que o Everest está achando de tudo isso, e reserva para as comemorações.

Notas 

Pedalada de costa à costa 

A RAAM – Race Across América – que será disputada em junho, irá de San Diego, na Califórnia, a Atlantic City, em New Jersey, (4.800 km), e os ciclistas Ricardo Arap, campeão em 98, e Guto Milano representarão o Brasil. 

Surfe master 

Começa terça-feira na Nova Zelândia o Mundial da ISA – International Surfing Association. Picuruta, Saulo Lima e David Husadel representam o Brasil, visando uma vaga no mundial master da ASP. 

Convidada sem grana 

Tita Tavares, campeã da primeira etapa do Super Surf, foi convidada pela ASP para disputar o mundial, mas, sem patrocínio, pode ficar de fora.

Sair da versão mobile