Ícone do site Trip | Conteúdo que transforma

Nasce um Ranking

O wakeboard é uma atividade relativamente nova, um desses esportes que são gerados pela fusão de dois ou mais dos considerados contemporâneos. Nesse caso, do surfe, do skate, do snowboard e do esqui. Por ser recente, não conta com um circuito mundial profissional organizado nem, portanto, com um ranking da categoria. Ou melhor, não contava. Entre os dias 2 e 4 de abril acontecerá na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, a etapa inaugural do primeiro circuito profissional de wake, organizado pela associação internacional de wakeboarding, a WWA, que ajudará a atividade a crescer sustentavelmente e formará um ranking internacional.


Exatamente por isso, as inscrições para a primeira etapa do Wakeboard World Series, ou WWS, estão abertas aos interessados. O empresário e bicampeão nacional Mario Manzoli, 31, mais conhecido como Marito, acredita que haverá perto de 30 atletas competindo por um ranking na Lagoa ? destes, 14 estrangeiros.


Não existe, entretanto, muita chance de um brasileiro sair do Rio como número um do mundo. Isso porque, como normalmente acontece por aqui, um esporte alternativo não se sustenta. Nossos melhores atletas têm que treinar nas horas vagas e trabalhar em outras atividades para poder investir no esporte. Em alguns países desenvolvidos, há quem viva do wake e, com apoio financeiro de um patrocinador, consiga treinar cinco dias por semana, oito horas por dia. Só nos EUA, por exemplo, são quase 4 milhões de praticantes. Trata-se, portanto, de uma indústria tão grande quanto a do surfe. No Brasil, estima-se que 40 mil pessoas já tenham provado o gosto do wake, mas dessas só 2 mil praticam regularmente.


Por conta disso, a diferença técnica entre ‘nós’ e ‘eles’ é ainda grande. As atuais potências do esporte são os Estados Unidos e a Austrália e, muito provavelmente, o primeiro número um da história do esporte sairá de um desses dois países. Os nomes dos americanos Darin Shapiro e Daniel Harf são os mais cotados. Shapiro, 28, é o atleta com mais títulos no esporte, enquanto Harf, medalha de ouro nos três últimos X-Games, faz parte da nova geração. Os dois estarão no Rio e, em condições normais de temperatura e pressão, deverão disputar o nome que entrará para a história como o primeiro líder do WWS.


Mas nada é tão certo quando não existe um histórico, e o formato da competição é desenhado para impor pressão. Serão apenas duas passagens em cada fase, uma de ida e outra de volta, de uma bóia a outra. Como cada passagem tem 30 segundos, no total o atleta terá um minuto para exibir sua rotina de movimentos. Marito calcula que os inscritos terão tempo para executar, em média, 10 manobras. É um formato cruel e que é capaz de prejudicar aquele que é tecnicamente sofisticado, mas não tem estômago para situações-limite.


A má notícia é que, desta vez, apenas homens terão o privilégio de competir no WWS e se rankiar. As mulheres deverão esperar mais um pouco pela chance de se organizar mundialmente. A boa notícia é que esse primeiro circuito mundial, que terá um total de seis etapas (Brasil, Suíça, Japão, Estados Unidos (2) e Canadá), distribuirá 200 mil dólares em prêmios, a perna brasileira 15 mil.


No dia 4 de abril o mundo conhecerá seu primeiro número um do esporte, e o wake terá, depois de mais de dez anos de vida, se firmado mundialmente.


NOTAS


SURFE ? WQS


Kelly Slater venceu a quinta etapa do ano, em Sidney, Austrália. O local Kirk Flintoff ficou em segundo e lidera o ranking. Neco Padaratz, que venceu Slater nas quartas-de-final, terminou em terceiro.


SURFE NO TELÃO


No sábado, dia 27, o Vivo Open Air, que está sendo realizado no Jockey Club de São Paulo, dará sua contribuição ao surfe exibindo o premiado documentário ‘Step Into Liquid’ na sessão da meia-noite.


SURFE FEMININO


A categoria terá a etapa de abertura do Circuito Petrobrás entre os dias 2 e 4 de abril em Ubatuba. Maceió, em junho, e Rio de Janeiro, em outubro, completam o torneio.

 
Sair da versão mobile