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NAS ONDAS DO RÁDIO

Tive a chance de experimentar, no final de de semana passado, o sistema Directv. Seja por displicência minha ou por falta de eficiência na comunicação deste serviço, associava a marca às anteninhas parabólicas que serviam para atender às regiões onde não havia cabeamento.

Mais do que a qualidade da imagem, e do que os canais de filmes e especiais como Eurochannel, que já é conhecido das prestadoras via cabo, me chamaram a atenção de modo especial, as estações de rádio disponíveis. Talvez esta não seja a forma certa de chamar estes canais, já que a recepção não se dá por um aparelho de rádio e sim pela TV, mas o que importa é que há mais de uma dúzia de emissoras de música com uma segmentação que chega a assustar. Além dos previsíveis canais de jazz, blues e rock, há outros dedicados exclusivamente à música colombiana, canções de amor executadas por grandes orquestras, sertanejo e popular do Brasil, salsa, ópera e outras subdivisões. É quase impossível não pensar imediatamente na massa de excrementos que nos chega diariamente pelas ondas de FM da maioria dos concessionários das grandes cidades brasileiras, salvo as honrosíssimas exceções que ainda sobrevivem.

Se a Directv foi capaz de produzir mais de uma dúzia de rádios criativas, está descartada em definitivo a hipótese de incompetência artística dos nossos homens de rádio, e reforça-se a tese de que as concessões servem hoje fundamentalmente, a encher os bolsos de meia dúzia de famílias agraciadas pelo presente federal, dado em troca sabe Deus do que; enfiando goela abaixo lixo vendável, muitas vezes definido e editado pelo tamanho das propinas recebidas do mercado fonográfico. Se um ministro conseguiu se colocar contra o lobby da indústria tabagista, da propaganda e da própria mídia em nome da saúde e principalmente do bom senso, será que em Brasília, em vez de almoçar com a Vera Fischer, alguém terá a coragem de rever a distribuição dessas concessões, preservando e estimulando os que fazem bom uso e caçando os demais, numa espécie de reforma agrária da cultura?

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