Não rola na bola, vai na roda
Se os boleiros decepcionaram, nossos skatistas seguem amealhando prêmios

Em 98, neste espaço, chamava a atenção para um fato curioso relacionado ao skate e à Copa do Mundo. O texto remetia à fatídica final entre Brasil e França, quando nossos skatistas, competindo a apenas algumas horas de Paris, em Lausanne, na Suíça, conquistavam uma histórica dobradinha no street e no vertical com Carlos de Andrade e Bob Burnquist, respectivamente, vencendo uma das principais etapas do circuito mundial de skate, WCS. Dois anos depois essa mesma dupla nos garantiu o inédito título mundial nas duas categorias, e o que se viu foi um avassalador ataque brasileiro nas principais competições, promovendo o país à condição de segunda potência mundial do esporte.
Curiosamente, oito anos depois, a mesma França de Zidanne despacha o Brasil num vexame histórico para o futebol nacional, e nossos skatistas, novamente a apenas algumas horas do desastre, na capital da República Tcheca, Praga, conquistam a primeira colocação nas modalidades street e vertical feminino durante a 13ª Mystic Cup. No street mais uma dobradinha brasileira com Ricardo Porva em primeiro e Daniel Vieira em segundo. No vertical feminino, a vitória da brasileira Karen Jones (na foto acima), mostrando que está em sua melhor fase e registrando o maior feito para o país na modalidade até hoje. Sandro “Mineirinho” Dias terminou em quarto lugar no half pipe masculino e obteve o vice-campeonato na categoria bowl riding, clássica nos anos 70 e 80 com provas em piscinas e que voltou a se popularizar recentemente. O campeonato distribuiu 40 mil dólares de premiação e encerra oficialmente a turnê européia do circuito WCS. Sem descanso os brasileiros partiram para Amsterdã para competir no LG Action Sports, um megaevento que reúne diversas modalidades de esportes não convencionais e que mesmo desvinculado do circuito WCS é bastante prestigiado pelos skatistas. No street mais uma vez o domínio foi brasileiro. Daniel Vieira ficou com o título e Felipe Barea, que apesar de morar há muito tempo na Holanda é brasileiro, ficou em segundo. Para completar o pódio o paulista Fabio Sleiman ficou com a terceira posição, e ainda tivemos o novato mineiro Jefferson Bill, ótima surpresa, em sétimo. Um fato curioso, Karen Jones optou por competir com os garotos na categoria amadora e garantiu a terceira colocação.
Nesse mesmo final de semana, nos EUA, rolou o “Right Guard Open”, segunda etapa do Dew Tour 2006, em Denver. Mais uma vez os brasileiros marcaram presença nas finais das disputas de vertical e street, dominadas por teenagers. No street tivemos três brasileiros entre os finalistas. Rodolfo Ramos finalizou em terceiro lugar, subindo ao pódio atrás apenas do garoto Nyjah Huston, de apenas 11 anos, e de Jereme Rogers. Nilton Urina em sétimo e Túlio de Oliveira em décimo fecharam a fatura. No vertical, por uma diferença mínima, o brasileiro Sandro Dias terminou em segundo, deixando o título de campeão dessa etapa para o fenômeno do snowboard Shaun White, 19. Bob Burnquist não foi tão bem, mas havia vencido a primeira etapa do Dew Tour 2006, em junho, em Louisville. Como segunda potência fazemos bonito, como primeira demos vexame.
Jeffrey’s Bay sem onda
Ontem, na África do Sul, a sexta etapa do WCT foi novamente adiada aguardando ondas maiores. Sete brasileiros passaram para a terceira fase e oito dos top 16 já caíram, Andy Irons inclusive.
Supersurf
Surfando em casa, Odirlei Coutinho venceu a emocionante final contra o líder do ranking, Jihad Kohdr, na etapa disputada em Itamambuca, Ubatuba, SP. No feminino Tita Tavares venceu pela décima vez no circuito.
Ano terrível
Mais uma perda para o montanhismo nacional. A corajosa escaladora de rocha Roberta Nunes morreu em acidente de carro terça-feira nos EUA.
Windsurf wave
Defendendo o título mundial na categoria, o brasileiro Kauli Seadi ficou em segundo na prova do Mundial disputada nas Ilhas Canárias, terminada segunda-feira.
Foto: Mystic Sk8 Cup/divulgação
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