Um amigo, tipo skate-na-veia, dia desses me falava sobre os novos freqüentadores das ladeiras. Com certo desdém, usou a expressão ‘fazendo joelhinho’ para definir a linha que os surfistas que voltaram a andar de skate especialmente de longboard vêm executando.
Traduzindo, ele se referia ao pessoal que faz uma linha mais suave, com curvas mais longas, valorizando o estilo, na modalidade que iniciou o esporte e voltou a ganhar força ultimamente. Top profissional de skate, habituado a descidas cheias de slides e manobras arriscadas até mesmo em meio ao trânsito, percebi que o ranço se devia menos a qualquer antipatia com os novos adeptos e mais com a falta de reconhecimento do que ele faz há anos.
Mas o que mais me chamou a atenção no papo foi a confirmação de que o skate vive um momento especial de diversificação e crescimento. O fato de uma turma de surfistas veteranos voltar a deslizar sobre rodinhas, 30 anos depois do primeiro carrinho, é uma evidência. Folheando a revista Tribo, a mais tradicional entre as publicações de skate no país, é fácil perceber outros sinais. Com surpresa constatei que o Negão, 37, continua ativo, competitivo e vivendo do esporte. No extremo oposto, soube que o carismático Rodrigo Teixeira, 16, criado na Praça Roosevelt em São Paulo, foi recentemente contratado pela marca norte-americana The Firm, que patrocina alguns dos melhores skatistas do mundo entre eles outro brasileiro, Bob Burnquist.
Paulistano de coração, vivendo há 5 anos na Califórnia, EUA, Bob, 23, vem sendo apontado como o melhor skatista na modalidade vertical. Atualmente, é o líder do ranking mundial (WCS) com três vitórias em cinco etapas disputadas. Na street os brasileiros também ocupam posição de destaque, sendo Carlos de Andrade o atual vice-líder.
Tendo em média 14 etapas por ano, a World Cup Skateboarding é definida pelos seis melhores resultados. Há dois anos o Brasil passou a integrar o Tour, que tem provas também na Europa (3), Canadá e EUA, a maioria.
O crescente envolvimento da mídia com o esporte também chama a atenção. Primeiro foi a rede de TV a cabo ESPN criando os X-Games, no qual o skate ocupa posição de destaque. Depois foi a vez da NBC, rede aberta, criar o seu Gravity Games, nos mesmos moldes – Olimpíadas dos Esportes de Ação – , com mais prêmios e maior penetração pela TV. A mais recente foi a 20th Century Fox, bancando a construção de uma rampa de saltos nos moldes das de snowboard para uma competição inédita de skate, tudo para promover o filme ‘Titan A. E.’.
No Brasil, gente ligada a TV e eventos esportivos já coloca o skate como o mais popular esporte de ação. É possível. Barato e viável de ser praticado em qualquer lugar, do quintal de casa à rampa de Super Jump o esporte tem um grande mercado potencial. É acessível, especialmente à população de baixa renda, o que num país como o nosso é uma tremenda vantagem.
Em três décadas de história, o skate vive seu melhor momento. Hoje, diferentemente dos auges de crescimento no passado, a indústria, apesar de continuar basicamente na mão dos skatistas, está mais consolidada e profissional. Faltam agora as grandes empresas perceberem esse potencial.
Notas
Quiksilver Pro Fiji 2000
O niteroiense Guilherme Herdy é o único brasileiro que ainda está competindo nessa quarta etapa do WCT. Ele eliminou o havaiano
Sunny Garcia, primeiro colocado desta temporada, nas oitavas de final. A prova teve que ser interrompida segunda-feira por falta de ondas mas deve continuar hoje. O campeonato termina amanhã. Saiba mais no www.asp.com
Corrida de aventura
Entre os dias 10 e 11 desse mês acontece a terceira etapa do Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura, no litoral paulista. As 25 equipes, cada uma com três integrantes, percorrerão 120 km alternando trekking, mountain bike e canoagem. Hoje é o último dia para inscrições. A premiação inclui bônus para participar da Expedição Mata Atlântica, em outubro.
Super Surf
A segunda etapa do Circuito Brasileiro de Surfe Profissional começa hoje, na praia do Francês, AL. A competição vai até domingo e distribuirá R$ 75 mil em prêmios e 1.000 pontos no ranking brasileiro masculino e feminino, que são liderados por Fábio Gouveia (PB) e Andréa Lopes (RJ). Mais informações: www.supersurf.com.br
Os números do esporte
O Super Surf, circuito brasileiro de surfe profissional, terá 6 etapas esse ano. Serão distribuídos R$ 450 mil em prêmios, R$ 75 mil em cada etapa. Participam 78 candidatos na categoria masculina, mais 2 convidados. Na feminina, competem as 16 melhores surfistas brasileiras. Em 2001 haverá apenas 46 atletas competindo no masculino – os 30 primeiros do ranking desse ano mais os 16 melhores classificados no Super Trials, a divisão de acesso do brasileiro.