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Na cabeça e na sola do pé

Ex-VJ e autoridade em música, o apresentador Gastão Moreira passou os últimos quatro anos vasculhando porões e varrendo ratos atrás da origem do punk no Brasil. O resultado, colhido entre 77 entrevistas e extensa pesquisa, é Botinada, DVD que passeia pela primeira fase dos coturnos e moicanos verde-amarelos – de 1976 e 1984. Pouco antes de se empirulitar para a première do filme, Gastão passou por aqui na redação e gravou a próxima edição do Trip FM. A gente aproveitou a simpatia e o bom papo do rapaz e lançou um par de perguntas.

Esse trabalho exibe um grande esforço de pesquisa. Como ela foi feita e quem participou dessa fase? Cara, a parte de pesquisa contou com alguma ajuda, sim. Fomos eu, eu e eu mesmo… [Risos]. A verdade é que eu acabei fazendo quase tudo sozinho. Tinha algumas idéias na cabeça do que queria e não faria muito sentido em delegar isso a alguém – algo como “fulano, vai lá e me traz tal recorte, tal manchete”.

Renderia mais se você centralizasse, certo? É. Era melhor que fizesse isso. E no contato com os caras também funcionaria melhor se eu entrasse direto na coisa. É só a gente pensar que eles são punks. Imagina mandar alguém ligar no meu nome. Iriam mandar à merda, não atenderiam.

E qual foi a parte mais complicada? Encontrar as pessoas, sem dúvida. Você tem esses ícones, entre aspas, como o Clemente, dos Inocentes, o Antonio Bivar, mas tinha também aqueles que sumiram… E alguns morreram. O punk da capa do DVD (foto acima), por exemplo, descobri que ele morreu há pouquíssimo tempo, umas três semanas… Complicado…

E como estava a “memória” do punk brasileiro? Terrível. Tudo espalhado. Precisei contar com ajuda de muita gente pra juntar material. E ainda assim, muita coisa se perdeu. Posso te dizer uma coisa: se esperasse mais uns dez anos para contar essa história, não conseguiria…

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