Há muito tempo quem acompanha o surfe percebe a necessidade de repensar o gasto modelo das competições. Alguns esforços têm sido feitos, e o Red Bull Tube Ride, realizado na semana passada em Fernando de Noronha talvez tenha sido o evento no qual essa busca tenha ido mais longe.
Dezesseis dos melhores surfistas do mundo foram reunidos em Noronha. Diferentes gerações, diferentes estilos, diferentes modalidades. Vários campeões mundiais, Tom Curren, Martin Potter, Derek Ho nas pranchinhas; Picuruta, Joel Tudor, Beau Young no longboard; Carlos Burle nas ondas grandes; Michael Ho no Master.
Realizado em dois dias, com ondas de 5 pés na Cacimba do Padre, os surfistas necessariamente tinham que usar pranchas pequenas e longboards em ao menos duas ondas por bateria. Assim, especialistas nos pranchões tinham que provar habilidades também no shortboard e vice-versa.
Contavam pontos três manobras. O tubo, comum às duas modalidades; os aéreos, só possíveis nas pranchinhas e os noserides, só viáveis nos longboards. Com isso houve um equilíbrio das chances de cada competidor faturar a prova e também alguma grana extra, oferecida ao atleta que realizasse a melhor manobra em cada uma das três fases.
Não deve ser atribuída apenas à farta premiação, a motivação e o clima de camaradagem demonstradas pelos competidores. O ambiente e as ondas sem dúvida contribuíram. Tubos cristalinos, água quente, sol, compondo o cenário paradisíaco do arquipélago. Na verdade, viu-se uma conjunção de acertos.
A organização soube como melhor explorar os recursos naturais. O palanque, feito em bambu e lycra branca, era discreto e interferia o mínimo. Som e locução foram preteridos, contribuição importante para o clima descontraído que pairou na Cacimba.
Entre os acertos atribuídos a profissionalismo e criatividade, um dos principais foi convocar profissionais especializados como a empresa de arquitetura responsável pelo palanque. Mais ainda, buscar entre os surfistas, gente que conhece o assunto e o local para que a coisa funcionasse. Segundo o jornalista Paulo Lima, presente ao evento, os veteranos Otávio Pacheco e Maraca, do Rio, foram enviados à ilha com muita antecedência para lidar com a política local, ao mesmo tempo que ajudavam a selecionar e convidar atletas e juízes internacionais.
Fundamental também a participação dos surfistas do nordeste como o shaper Ronaldo e Armandinho da Gotcha, que souberam representar com inteligência a força do surfe do Nordeste e especialmente de Noronha. Entre outras coisas apontando a data exata do swell e cuidando das triagens para os surfistas da ilha, vencida por Kaia.
No final o californiano Gavin Beschen era o próprio retrato da felicidade, ficou com o título e US$ 33 mil, referentes à vitória e a três prêmios por manobras (US$ 1 mil cada). O longboarder Joel Tudor ficou em segundo, Bruce Irons em terceiro e Beau Young em quarto. Verificando-se um equilíbrio na final, dois long e dois short boarders, o que evidencia que o modelo assim como os critérios de julgamento foram apropriados.
NOTAS
EDDIE AIKAU
O australiano Ross Clarke Jones, 34, na última sexta-feira, se tornou o primeiro não havaiano a vencer a prova em Waimea. Ondas de 35 pés de face desafiaram os 24 convidados. Essa foi a quarta vez que a prova se realizou, em quinze anos de existência.
ESTADO DE ALERTA
Jeff Clark, o chefe de prova do Men Who Ride Mountains, deve hoje convocar os convidados já que um swell de 40 pés é esperado. O surfista brasileiro Carlos Burle está na primeira bateria, junto com Ross Clarke Jones, Noah Johnson, campeões do Eddie, Kelly Slater e Jay Moriarity.
CORRIDA DE AVENTURA
Parati, RJ, recebe no próximo fim de semana 40 equipes para a segunda etapa do Reebok Swatch Ecomotion. Serão 100 km de prova entre mar e terra. Um posto de controle submarino e canoas caiçaras são inovações da etapa.