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Menino Prodígio

Nos últimos anos, o skate brasileiro ganhou grande projeção: já é a segunda potência internacional, com oito vitórias em etapas mundiais – e Rodrigo de Arruda, de apenas 16 anos, foi o responsável por uma delas. Quem já viu sua frieza e precisão percebe seu potencial para colaborar ainda mais com a evolução do skate brasileiro. Questão de tempo: habilidade não falta e o menino não desgruda o pé da lixa por nada

Quando tinha 11 anos e vendeu seu aquário e os três peixinhos para montar o primeiro skate, Rodrigo começava uma carreira que ultrapassaria qualquer expectativa: aos 16 anos, é o mais promissor skatista brasileiro da atualidade. Em Praga, julho do ano passado, superou os topten e sagrou-se campeão na categoria street da Mystic Cup, uma das etapas do circuito mundial. Em sua primeira viagem ao exterior, ficou um mês longe de casa se virando sozinho: eu vendia peças de skate pra levantar uma grana pra comer e ter um canto pra dormir.

Rodriguinho cresceu entre o Anhangabaú – sua praia favorita para o skate – e a praça Roosevelt, onde mora e estuda até hoje. A falta de patrocínio e incentivo dos pais fez com que começasse a trabalhar com 14 anos para descolar peças e tênis. Trabalhava de manhã e à noite num mercado perto de casa, e à tarde matava aula para subir no carrinho. Cabular foi a pior coisa que já fiz na vida. Me empolguei porque estava mandando bem; vacilei e repeti de ano por faltas. Rodriguinho não é precoce só no skate. Há um ano e dois meses namora Mayse, uma curitibana de 20 anos, responsável por sua estréia nas artes do sexo. Foi exatamente do jeito que eu esperava.

Desde o mundial de Praga, o skate virou profissão e fonte de renda. Atualmente, está com três patrocínios de marcas americanas (The Firm, Hurley e És Shoes) e dois nacionais (Crail Trucks e Shinny). Passou o mês de março na Califórnia participando de vídeos norte-americanos e de uma matéria para a revista Skateboard Transworld. Mas seu objetivo principal estava em Tampa, Flórida, onde rolou o Tampa Pro 2000, primeira etapa da Worldcup. Rodrigo ficou em terceiro lugar e pretende disputar todas as etapas do circuito mundial este ano.

Há seis meses, nem planejava sair de São Paulo. Queria terminar a 8a série e ficar perto da família, mas os compromissos internacionais estão cada vez mais freqüentes: em maio se apresentará na Espanha, França e Estados Unidos. Após disputar as etapas mundiais européias, no meio do ano, Rodrigo irá morar nos Estados Unidos, provavelmente em Los Angeles. Para conquistar o mundo, a filosofia é a mesma: Acreditar desde o começo, ser humilde e seguir as influências certas. Já sua estratégia para campeonatos é mais agressiva: Olho para o obstáculo e penso: somos eu e você, agora vamos ver quem é melhor.
(Endrigo Chiri Braz)

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