Uma borracharia, além de pneus, é forrada de pôsteres de mulher pelada, certo? Nada disso: não é qualquer uma que pode freqüentar as paredes desses estabelecimentos. Não gastaria dinheiro comprando uma revista com a Carolina na capa. Prefiro turbinadas, tipo Feiticeira, opina Fernando Ganasevici, 42, estabelecido no Piqueri (zona oeste de SP). Já José Sirineu Gonçalves da Silva, o Zezinho, 31, borracheiro nos Jardins e fãzoco da Carla Perez, nem faz idéia de quem seja La Dieckmann. João Vasconcelos, 55, também a serviço dos pneus da zona oeste, pondera que o preconceito não vem sozinho. Se há hoje o comércio do nu, por que não posar? O marido dela não deve ter deixado, analisa ele, que jura detestar vulgaridade e revela o segredo para manter a clientela: Oficina com pôster ou revista de mulher pelada se dá melhor. Cliente chega e já fala ‘tem uma revistinha aí?’, e vai folheando enquanto a gente termina o serviço, entrega, apontando uma pilha de mulheres de celulose. Embora desfile gostosas gringas em suas paredes, o exigente João garante: Não há corpo como o da brasileira. Para ele, o melhor ângulo é o perfil (pra ver os dois lados), e o ambiente, as piscinas (ah, aquelas escadinhas…). Musa? Nos 80 era a Magda Cotrofe. Hoje são as Scheilas, discorre o especialista, mudando de assunto ao apontar um enorme dente de alho pendurado no teto: Para espantar vampiros. As vampiras a gente deixa entrar. (Carol Ramos)
Me joga na parede
