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Maré a favor

O Molokai Hoe Outrigger Championship é a meta da maioria dos atletas de uma modalidade nova por aqui, a canoa havaiana. A travessia, feita na fina embarcação apoiada num flutuador, é lendária e vai de Molokai até Oahu, num percurso de 70 km. Desde 1952 o Outrigger Canoe Club of Oahu e o Waikiki Surf Club – os dois maiores vencedores da competição – pelejam para saber quem é o melhor nas ilhas do Pacífico. A categoria OC6 (canoa para seis atletas) é a mais tradicional, mas correm por fora a OC1 e a OC2 – individual e com parceiro, respectivamente. “O percurso é de uma ilha para outra, sem abrigo de montanhas ou pedras”, conta Alessandro Matero, o Amendoim, canoísta da equipe SOS Mata Atlântica, que treina na raia da USP, em São Paulo. “Tem muita influência de corrente e muito vento”, completa.

Alessandro embarca no dia 10 de maio para o Havaí. Vai correr a Molokai – que acontece dia 20 – na categoria OC2 junto com outro brasileiro, Ernesto Simões. Segundo ele, é a primeira dupla brasileira a disputar o Molokai na OC2. Junto com sua equipe, a SOS Mata Atlântica, Alessandro ficou em segundo lugar na primeira etapa do Circuito Brasileiro de Canoas Havaianas. A competição, realizada no último sábado, é um dos percursos mais longos do mundo, com 75 km, e fica em Santos. Batizado de Volta à Ilha Sto. Amaro, mais conhecida como Guarujá, o desafio foi vencido pela equipe Tribo Q Pira/98 FM, que remou através de mar, rio e do Porto de Santos por 6h17min e, favorecida pelas condições do mar, bateu novo recorde da prova. Evoluindo rapidamente, a categoria, com suas canoas de fibra de vidro, pode chamar a atenção dos comitês olímpicos. “Queremos fazer uma demonstração durante o Pan do Rio”, diz Alessandro. “Estamos trabalhando junto com a CBCA (Confederação Brasileira de Canoagem) para isso.” A modalidade é praticada no Brasil desde 1998, e o primeiro campeonato nacional aconteceu em 2001 e, neste ano, pela primeira vez, haverá um circuito, já confirmado com três etapas. “Antes sabíamos das competições com um mês de antecedência”, esclarece o canoísta.

Para o próximo ano o calendário já está formatado com antecedência. A Volta à Ilha de Sto. Amaro, por exemplo, será em janeiro. Neste ano restam ainda as etapas de Cabo Frio (RJ), em julho, e Florianópolis (SC), em outubro. Enquanto o comitê não aprova a canoa havaiana para ser esporte olímpico, o Molokai, além da tradição, continuando sendo o mais importante campeonato da modalidade, distribuindo US$ 25 mil em prêmios. Os brasileiros, mesmo tendo como motivação apenas medalhas no nacional, estão treinando forte. Unidos, pretendem formar a primeira equipe OC6 100% brasileira e ir disputar a prova havaiana – e, como já rola no surfe nas águas do arquipélago, se intrometer na velha rixa entre os outrigger clubs havaianos.

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