FOTO ARQUIVO MARCOS VILAS BOAS
1. Sempre, e invariavelmente, o número de indivíduos estúpidos em circulação é subestimado (também segundo Walter B. Pitkin, em sua Curta Introdução da História da Estupidez Humana, os estúpidos chegam a 80% da população). Pessoas racionais e inteligentes podem vir a ter atitudes absolutamente estúpidas. Dia após dia, com uma incessante monotonia, somos acuados por indivíduos estúpidos que aparecem inesperadamente nos mais inconvenientes lugares e nos mais improváveis momentos.
2. A probabilidade de que alguma pessoa seja estúpida independe de qualquer outra característica dela. A estupidez nada tem a ver com raça, religião, classe, time de futebol, escola de samba ou partido político. É um privilégio concedido a todos os grupos humanos.
3. Uma pessoa estúpida é aquela que causa prejuízo para si mesma e para os outros, sem tirar dessa ação qualquer vantagem. O nosso dia-a-dia é cheio de ocasiões em que perdemos dinheiro, tempo, energia ou apetite por ações intempestivas de criaturas que não têm nada a ganhar. Normalmente, não se consegue explicar como é que alguém pode fazer uma coisa dessas. Existe uma explicação: a pessoa em questão é estúpida.
4. Pessoas que não são estúpidas sempre subestimam o poder de dano dos indivíduos estúpidos. Um ato estúpido é sempre inesperado porque é um ato que as pessoas racionais têm sempre dificuldade em entender o porquê. Somos pegos de surpresa pelo ataque e, mesmo quando estamos conscientes da situação, não é possível organizar uma defesa racional porque o ataque em si carece de qualquer estrutura racional.
5. O estúpido é o tipo mais perigoso de pessoa. Genialidade e loucura caminham juntas, assim como estupidez e inteligência. Segundo Stephen Bayley, autor do Dicionário da Estupidez, se as pessoas não fizerem coisas estúpidas, nada de inteligente poderia acontecer para corrigir as bobagens feitas. O progresso humano depende da prática contínua da estupidez.
Alguns livros e ensaios para quem tiver tempo, paciência e quiser um pouco mais de informação sobre o assunto: The Basic Laws of Human Stupidity, de Carlo M. Cipolla; Short Introduction to the History of Human Stupidity, de Walter B. Pitkin; The Encyclopaedia of Stupidity, de Matthijs van Boxsel; Dictionary of Stupidity, de Stephen Bayley; O Poder da Estupidez, de Giancarlo Livraghi.
* J. R. Duran, 52, fotógrafo, é um estudioso da insensatez humana. Seu e-mail é: studio@jrduran.com.br