A partir da semana que vem o Brasil viverá o que possivelmente será sua maior investida em alta montanha de todos os tempos. Duas expedições saem simultaneamente rumo ao teto do mundo, o monte Everest (8848 m), no Himalaia. A dupla Vitor Negrete e Rodrigo Raineri, de Campinas (SP), tentará o cume sem o uso de oxigênio suplementar pela face norte (tibetana), considerada a mais difícil. Já a dupla Waldemar Niclevicz e Irivan Burda, de Curitiba (PR), tentará o cume pela face sul (nepalesa), que, embora seja considerada menos difícil, nunca foi conquistada por brasileiros.
Será a primeira vez de Rodrigo e Vitor acima dos 7 mil metros. A dupla possui amplo domínio dos Andes, já tendo alcançado cumes importantes em quase todas as rotas e condições. Só no Aconcágua (6962 m), o teto da América ? que também é a montanha mais alta do mundo fora do Himalaia ?, a dupla soma 10 cumes. Mas nunca estiveram na chamada ‘zona da morte’, situada acima dos 8 mil metros, e a sua adaptação a essas condições ainda é uma incógnita. Estão levando garrafas de oxigênio? ‘Apenas um par para o caso de haver uma emergência durante a descida’, diz Rodrigo. Se tiverem sucesso, se juntarão a um seletíssimo grupo de apenas 28 ocidentais que lograram o feito, além de se tornarem os primeiros brasileiros a fazê-lo.
Já Waldemar e Irivan têm uma boa experiência acima dos 7 mil metros. Entre os sucessos de Waldemar constam 6 das 14 montanhas acima de 8 mil metros existentes no mundo. Todas no Himalaia. Vale mencionar que a dupla tentou há pouco tempo o cume do Everest sem oxigênio em uma expedição que pretendia também o cume do Lhotse, cuja rota é a mesma do Everest até o colo sul. O Lhotse foi alcançado, com oxigênio, mas o Everest não rolou. O projeto atual contempla o uso das garrafas de oxigênio e tem por objetivo comemorar os 10 anos da conquista brasileira realizada pelo próprio Waldemar, em companhia de Mozart Catão, que faleceu escalando o Aconcágua. Abandonar as garrafas? ‘Talvez, se as condições permitirem’, diz Waldemar.
Mesmo que o estilo de escalada não coincida, há grandes chances de as duas duplas atacarem o cume na mesma data, na lua cheia de maio.
Terça-feira passada a TryOn, que patrocina ambas as equipes, promoveu uma coletiva de imprensa onde os projetos foram apresentados. Waldemar e Irivan impressionavam pela seriedade e tecnicismo do discurso, enquanto Rodrigo e Vitor emocionavam pela espontaneidade e pela possibilidade de concretizar um sonho.
No mais, o clima geral era de ‘fairplay’ e o CEO da marca, Gerson Schmitt, exibia uma alegria contagiante em estar proporcionando ao esporte uma condição poucas vezes vista. Para ele, o que interessa é que o esporte ganhe visibilidade e que sua marca se consolide como uma das mais atuantes nos esportes de aventura. Bancando duas expedições simultâneas, a TryOn contrasta com as marcas que preferem apenas a propaganda como meio de demonstrar seu compromisso com o esporte. Falando em compromisso, Gerson fez questão de frisar que o único assumido pelos atletas é o de voltar em segurança para casa. Que assim seja.
