O Céu de Lisboa é uma obra-maestra esquecida do alemão Wim Wenders, o mesmo de Paris, Texas e do recém-cultuado Buena Vista Social Club. Wenders rende-se à discussão da perda da mirada, não só nos diálogos do protagonista, um simplório sonoplasta apaixonado à procura do amigo cineasta perdido no mundo, como também na magistral composição da trilha sonora que, de tão precisa, exige silêncio absoluto no recinto. Além de uma trama bem amarrada por personagens críveis em interpretações seguras, o mestre Wenders nos brinda com enquadramentos belíssimos, pictoricamente iluminados e um roteiro de rara sensibilidade. Ponto alto para Madre Deus, grupo luso que revisita o tradicional fado português, além de esbanjar interpretação. Para quem gosta de cinema de gente grande, e não costuma dormir no meio.
[Daniel Rocha]
