Só para variar, demos um tempo dos clássicos quatro rodas e montamos na garupa de jóias do design e da mecânica sobre dois pneus. Confira o perfil de um colecionador da lendária marca italiana e veja outras motocas classudas nos nossos classificados
Por João Carlos Magalhães
Fotos Marcelo Naddeo
É numa salinha pintada de cor-de-rosa gritante, exageradamente iluminada e coalhada de quinquilharias bem cuidadas, que o empresário paulistano Fábio Parente, 49, guarda uma das coleções mais preciosas de Lambretta e Vespa do Brasil, duas lendárias marcas italianas surgidas no pós-Segunda Guerra. Expostos como num museu afetivo, ali estão seis dos nove modelos impecavelmente restaurados que possui [os três restantes ele guarda em casa]. Raridades como uma LI 1967 vermelha com side car [espécie de garupa lateral] ou uma LD 1956 ? cujo documento da época ele tem enquadrado ? convivem com variações de scooters [nome genérico que se dá a essas motocas polivalentes] em formato de desenhos, brinquedos, miniaturas e cartazes espalhados pelo local.
Logo na entrada, dois exemplares do tamanho daqueles triciclos de criança, que um dia pertenceram ao carrossel de um antigo parque de diversões, ladeiam uma Vespa 1960. Adiante, em armários envidraçados, acumulam-se mais de cem brinquedos e action figures [miniaturas que reproduzem uma cena real] de motonetas ? tudo comprado pela internet ou trazido do exterior por amigos. Nas paredes, pôsteres e fotos envelhecidas mostram pin ups e lendas do cinema americano posando sobre as onipresentes motocas. O cenário caótico, repleto de memorabilias improváveis, como uma réplica da Vênus de Milo, é ?meio um puteiro cubano brega-chic?, na definição do próprio dono. ?As motos são como mulheres pra mim?, diz. ?Adoro que os outros olhem e elogiem, faz bem para o ego. Só não podem usar.?
Parente nada sabe de engrenagens e quase nunca pilota seus brinquedos motorizados. Gosta mesmo é da imagem, da beleza deles ? até por isso, carrega tatuada em seu braço direito uma Lambretta e seu portentoso escudo. ?Sou um voyeur dessas máquinas?, confessa o colecionador.
VÁ LÁ: Minimuseu de scooters – Avenida Horácio Lafer, 533, Itaim, São Paulo [SP]. Tel. [11] 3078-5775
* Apesar do voyeurismo, Fábio Parente pretende se desfazer de uma de suas belezocas. Veja o anúncio nesta edição.
