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Lama na alma

POR FERNANDA DANELON FOTOS HAROLDO NOGUEIRA

“Sou navegador de rali. E dentista nas horas vagas”, brinca o cearense Flávio França, 38, auxiliar de piloto desde 1996, quando deixou de correr de moto para se tornar navegador de Trollers 4×4. Campeão das três últimas edições do Rally do Agreste (2003, 2004, 2005), Flávio afirma “sofrer com prazer” as agruras dos desafios impostos pelas provas cross country. “Na primeira vez que participei dessa competição, nos Lençóis Maranhenses, choveu tanto que a lama encobriu a estrada. Tive que correr por horas na frente do carro procurando pelos buracos”, conta ele. “Terminamos com dez carros atolados e só três completaram a prova naquele dia”, lembra Flávio, com certa saudade do cansaço físico e espinhos no pé.

Na verdade, não é bem da fadiga que Flávio sente falta. Para correr no Rally do Agreste, os competidores passam por um roteiro de fazer inveja a qualquer pacote turístico. Os jipeiros passam pelas melhores paisagens do Nordeste. A começar pela largada, na pitoresca cidade de Camocim (CE), distante apenas 40 km da clássica beleza de Jericoacoara. A primeira parada para pernoite é prevista para acontecer já no Piauí, em Parnaíba, porta de entrada para o delta do rio homônimo. A aventura se completa quatro dias depois, com a grande chegada em Barreirinhas, nos Lençóis Maranhenses. Nada mal para quem vai enfrentar o estresse físico e mental de uma viagem radical. “Quando me sinto no fundo do poço, atolado na lama mesmo, só penso em voltar para casa. Mas aí, no dia seguinte, estou lá de novo, pronto para comer poeira na estrada”, diz Flávio. Para ele, as melhores coisas da vida estão no rali: amigos e viagens.

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