Por Marília Besser
Foto por Shin Shikuma
Quem acompanha a modalidade vertical do skate sabe que as coisas funcionam em ciclos bem definidos. O atleta sobe, o atleta desce. Entre essas etapas, ele voa um pouco. E é nesse pedacinho de tempo que o sujeito faz o seu nome no half.
No fim de março, o brasileiro Bob Burnquist, 29 anos, inverteu as coisas, extrapolou e rompeu a barreira final da modalidade. Bob subiu, Bob desceu, desceu e desceu…
Ao se lançar com o carrinho sob os pés e um pára-quedas nas costas no Buraco do Inferno, um abismo do Grand Canyon, nos Estados Unidos, Burnquist estabeleceu o novo patamar de adrenalina no esporte (saiba mais clicando aqui).
Na última quarta-feira, em São Paulo para o lançamento da marca de roupas Reef/Quarup, Sandro Dias, 31 anos, “o Mineirinho”, tricampeão mundial no Vert, portanto autoridade incontestável no tema, comentou para a Trip a façanha.
O que você achou desse salto do Bob? Já pensou em fazer isso? Achei muito legal. O que ele fez foi interessante, bastante criativo. Mas não é muito a minha. Não tenho interesse em juntar os dois esportes [skate e base jump] como ele fez. Na verdade, eu até já saltei de pára-quedas… Mas isso não é o meu forte.
E a questão dos limites? Até onde vai essa coisa de inovar, de arriscar? Olha, o atleta de ação está acostumado com esse tipo de aventura. A gente sempre anda no limite, arrisca a vida. De um jeito ou de outro, todo mundo faz isso… Eu até acho que para as pessoas que não conhecem, que não acompanham tanto, isso que ele fez é bastante impressionante. Mas não teve muito impacto emocional pra mim, não.
Fala um pouco do seu tricampeonato? O que mudou depois disso? O que trouxe de impulso ao skate brasileiro? Conquistei o tri mundial em 2005. E, no mesmo ano, também ganhei o tri europeu. A emoção é muito grande, ainda mais pra gente do Brasil, que não tem tanto incentivo, tanto apoio e tantos eventos como lá fora. É bem legal poder representar o país, sair daqui de mala e cuia, e conquistar o mundo.
Como é o seu dia-a-dia fora do half? Pratica outros esportes? Eu procuro sempre ajudar os atletas que estão começando e não têm oportunidade de praticar. Sou uma pessoa muito amiga, me preocupo com os outros. Fora do half não fico parado, não. Pego onda direto, ando de bike, faço trilha, corro, nado e jogo bola. Só não rola ficar marcando em casa… [risos].
Você namora a Fabiola da Silva, campeã nos patins de street e vertical. Como é que anda o relacionamento? Estamos superbem. Como ela também pratica esporte radical, isso ajuda; estamos sempre apoiando um ao outro dentro e fora dos campeonatos. É muito bom ter uma namorada que entende tua profissão… Não só entende como pratica e compete. Estamos juntos já faz quatro anos. A gente é parecida. Ela também não fica parada quando não está treinando… É fissurada em academia.
E, pra terminar, não dá pra não perguntar: o que vem por aí? Manobras novas? Bom, agora com certeza é continuar andando, não ficar parado nunca. Só digo que procuro evoluir sempre tentando essas manobras novas… O importante é evoluir não só no skate, mas na vida também.
