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Jaca lôca

Uma notícia um tanto curiosa chamou nossa atenção no dia 20 de dezembro: uma mulher havia sido atingida na cabeça por uma jaca enquanto andava pelo Campo de Santana, no centro do Rio de Janeiro. Só se sabia que a vítima se chamava Valdirene Viana de Souza e que havia sido atendida no hospital Souza Aguiar, sendo liberada logo em seguida.

Na esperança de arranjar uma entrevista, entramos em contato com diversos jornais cariocas, mas ninguém tinha conseguido localizar a acidentada. O próprio hospital Souza Aguiar se recusou a nos ceder informações. Começamos então a achar que era tudo mentira, Valdirene não existia, e a jaca era inocente. Até que um e-mail da Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou sua entrada no hospital na tarde do dia 19, com ferimentos leves.

Diante de nosso fracasso em conseguir a entrevista, falamos com Hector Navarro, neurocirurgião do hospital Sírio Libanês. Depois de alguns minutos convencendo o doutor de que não se tratava de trote nem piada, ele comentou o caso – uma jaca, é bom que se saiba, pesa, em média, 9 quilos, podendo chegar a mais de 30.
Quais são as conseqüências de tomar uma jacada dessas na cabeça? Depende muito do peso da fruta e da altura da árvore. Se a jaca acertar em cheio, bem em cima da cabeça, pode até causar um trauma na coluna cervical e lesões neurológicas.

Existem relatos de óbito em casos desse tipo na literatura médica? [Risos] Nunca ouvi falar de ninguém levando uma jaca na cabeça, muito menos de alguém que tenha morrido por causa disso. Já soube de pessoas que foram atingidas por cocos, é até um problema em algumas cidades litorâneas. Apesar de ser menor que a jaca, o coco é muito mais perigoso porque sua casca é dura e os coqueiros são bem mais altos que as jaqueiras.
(Ana Paula Canestrelli)

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