Carolina, 7, desdenhou quando eu disse que um amigo voou por quase 5 minutos. “Isso não é nada, pai.” Começamos então a cronometrar o tempo no relógio do carro.
O amigo é Gui Pádua, pára-quedista com cerca de 10.500 saltos, 18 anos de carreira, par de Patrick de Gayardon num título mundial de skysurf e, desde o último sábado, o homem que ficou mais tempo em queda livre na história: 4 minutos e 40 segundos.
O recorde anterior era do coronel pára-quedista John Kittinghann, americano que teve o apoio da Nasa num projeto de U$ 5 milhões. Ele saltou, em 1960, a 102 mil pés (cerca de 31 mil metros), de um balão meteorológico, com roupa de astronauta, e caiu por quatro minutos e 36 segundos.
Gui foi quebrar esse recorde na terra de Elvis, Memphis, Tennesse, EUA. O apoio prometido da Força Área Brasileira não veio. Bastava uma hora de vôo num Hércules para alcançar altura para cair por 4 minutos e 46 segundos, objetivo inicial.
“Infelizmente no Brasil ainda é assim, é preciso sair daqui para ter apoio. Não se tratava do sonho de um maluco, mas de um recorde mundial”, desabafou.
Graças a um americano de 60 anos, 44 de vôo, dono de um rancho no meio de plantações de algodão, o projeto de nove anos pôde se realizar. Mr. Mike abriu as portas de seu King Air, um avião turboélice apropriado, para Gui realizar o sonho (pra muitos pesadelo) de cair de uma altura de quase 30 mil pés. Só não chegou a essa altura porque não foram autorizados a subir além dos 28 mil pés. Uma diferença de 600 metros pode significar 20 segundos a menos na queda.
A temperatura em terra naquela manhã era de 3ºC. Lá em cima, –45ºC. Com toda parafernália, como emplastro térmico, oxigênio e wing suit – traje que gera resistência e que, junto com o atraso na abertura do pára-quedas, permitiu o recorde de uma altitude inferior à anterior –, Gui se jogou.
“Voei tanto que pousei a 30 km do aeroporto. Agora posso dizer que sou o cara que mais voou na história”, comemorou o recordista.
Dois minutos depois e algumas quadras adiante, lembrei a Caro que ele não estaria nem na metade do salto, e caindo, ou voando, como prefere: “É bastante”, reconheceu.
SKATE NO AUTÓDROMO
No feriado de terça, no autódromo de Interlagos, o GP Brasil de Slalom reúne os 32 melhores da modalidade no país, além dos campeões mundiais Jason Mitchell e Barret Deck.
HOMEM DO MAR
Idealizado por Eraldo Gueiros, o WG Ocean Games desafia atletas (mulheres também) em três das seguintes modalidades: surfe, kitesurfe, stand up, remada, longboard e bodyboard. No Rio, dias 17 e 18.
TRÍPLICE COROA
Primeira prova da série havaiana e penúltima do WQS, o Reef Pro está na água em Haleiwa com ondas pequenas.
