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INOVAÇÃO EM DOBRO

Uma vez estava em Guernika, no país basco, Espanha, e fui acompanhar uma partida de Jai Alai. Depois de cinco minutos tentando entender como as duplas usando raquetes de cestas em forma de gancho , pontuavam no paredão, voltei a atenção para o público, que freneticamente apostava e fumava charuto. Mais interessante.

É muito chato acompanhar um esporte sem saber como pontua, quem está na frente. Até meados dos anos 80 o surfe era assim. A exceção dos juízes, competidores, e uns poucos experts, era quase impossível dizer quem estaria vencendo uma bateria bem disputada.

Foi aí , que uma dupla de brasileiros criou um programa que permitiu a divulgação das notas atribuídas aos atletas assim que eles saíam da onda. Além de incentivar os competidores, que passaram a saber através dos alto-falantes a necessidade de pontos, envolveu o público. Bingo.

Novos formatos e mudanças vêm sendo introduzidos no surfe visando torná-lo um esporte mais competitivo e atraente para o público, especialmente da TV.

Um dos campeonatos que consegue manter a atenção do público é o ISA World Surfing Games, que este ano será disputado em Pernambuco. O antigo mundial amador foi transformado nas olimpíadas do surf, reunindo o que há de melhor em cada país e levantando a inspiração e nacionalismo dos atletas. São cerca de 450 atletas de 40 países. A nova forma de disputa foi criada para atrair a atenção do Comitê Olímpico Internacional, visando incluir o surf nos Jogos Olímpicos. Namíbia, Bulgária e Áustria, países sem tradição alguma no surf, estão entre os participantes, evidenciando que o esporte está evoluindo.

Importantes passos foram dados pela ASP, responsável pelo mundial profissional. Um de aprovação unanime é o que visa a realização de provas em locais de ondas perfeitas, preterindo eventualmente benefícios comerciais imediatos. Outro foi a recente criação do mundial Pro Junior, para surfistas até 20 anos, estimulando o trabalho de base.

Por aqui o ano começa com novidades. A criação da divisão de elite, seguindo os moldes do mundial com duas divisões valorizou os talentos brasileiros. Com etapas de melhor premiação o circuito saiu fortalecido.

Na semana passada foi anunciada outra surpresa. Um formato pouco convencional, inédito para esse nível de provas, é a Copa Ford de Surf Profissional, o circuito brasileiro de duplas.

Serão duas duplas na água e aquela que obtiver melhor conjunto de notas segue no evento. Os times podem ser formados, independente da idade, patrocínio ou estado. Parcerias com a juventude e a experiência devem dar certo.

Se por um lado o modelo deve dificultar um pouco o acompanhamento da prova, por outro trará elementos novos de estratégia e conjunto, e sem dúvida mais movimentação. Será uma experiência interessante.

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