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Humanos

 

Humanos

 

        Não somos como nos idealizamos ou como queremos ser. É por isso que a auto-sugestão e as teorias de auto-ajuda funcionam apenas como lavagem cerebral e duram tão pouco. Nós somos o que conseguimos nos fazer. Mas será que o nosso projeto de ser é verdadeiro e suficiente? A “prova dos nove” para descobrir a resposta a essa indagação é só questionar: e se todos homens escolhessem ser como nós nos fazemos, a vida em comum seria viável? Se nos fazemos justos, generosos, bons, amigos, enfim éticos e morais, é obvio que é viável a convivência social. Mas se nossas escolhas forem outras, por exemplo, se escolhemos ser exploradores, criminosos, oportunistas, egoísta, ou seja anti-éticos e imorais, é evidente que vai ser inviável a coexistência humana. Acho que isso decide sobre a verdade de nossa maneira de ser. Se o que escolhemos para nós serve também para os outros e para a convivência entre todos, estamos no caminho certo.

       Certa vez, quando ainda preso, fiquei questionando porque na prisão é proibido roubar e quem é pego roubando pode pagar até com a vida, se a maioria ali é composta de ladrões? E não há nada escrito, todos por ali sabem dessa informação. Já vi alguns que duvidaram e foram pegos, descerem os cinco andares do que era a Penitenciária do Estado, nus e com toda população armada de paus e facas correndo atrás deles. O desespero deles era de dar dó, mas no crime, como dizem, não há perdão. A resposta a essa questão é obvia: como seria possível conviver, sendo que todos foram presos por haverem roubado, caso não houvesse essa regra? As pessoas presas viveriam se roubando e se matando uns aos outros.

         Estamos coligados e não somos somente responsáveis pelo que fazemos com relação a nós, mas também com relação a todos os outros seres humanos. É isso que nos torna “irmãos”, Humanos, enfim.    

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Luiz Mendes

28/07/2015.

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