Na entrevista publicada na revista Trip, o atual campeão mundial de surfe da divisão de acesso, Neco Padaratz, declara que não sente mais necessidade de ganhar o WCT (a primeira divisão), porque acha o WQS mais difícil. Claro que suas palavras visam valorizar a conquista e aliviar a cobrança que recai sobre ele, visto como o brasileiro com mais chances de chegar ao topo da elite.
Mas nas últimas semanas sua afirmação foi mais verdadeira do que nunca. Com três etapas fortes do WQS entre as duas inaugurais do WCT, os melhores do mundo permaneceram na Austrália, onde as provas estão sendo disputadas, competindo no WQS contra uma legião de jovens pretendentes a uma vaga na elite, e até mulher entrou na disputa.
Os 20 mil espectadores que lotaram a praia de Newcastle, para acompanhar as finais da etapa do WQS no fim de semana passado foram testemunhas oculares da histórica disputa entre o bicampeão mundial Andy Irons e a hexacampeã do circuito feminino, Layne Beachley. O mano a mano estava sendo noticiado há mais de um mês, desde que a surfista australiana aceitou o wild card oferecido pela associação para se tornar a primeira mulher a disputar profissionalmente contra homens. O wild card garantiu a ela acesso direto a uma fase avançada na mesma bateria em que o atual rei do circuito, o havaiano Andy Irons, faria sua estréia.
A antecipação do duelo foi suficiente para levar uma multidão ao anfiteatro natural que é a praia de Newcastle. Mas, para espanto geral, de cara tanto Irons quanto Beachley saíram da competição que distribuía 100 mil dólares em prêmios. Os culpados foram o neozelandês Bebe Durbidge e o brasileiro Bernardo Pigmeau. Os dois ficaram com as melhores ondas e as melhores pontuações da bateria, que terminou com Durbidge em primeiro (15,17 pontos), Pigmeau em segundo (10,10), Irons em terceiro (9,37) e Beachley em quarto (6,36). Com a frustrante e antecipada saída de ambos, ficou fácil para o também hexacampeão Kelly Slater, 32, faturar seu primeiro título em Newcastle e emendar duas vitórias seguidas no WQS, garantindo a ele, nessas duas semanas de ‘trabalho’, uma premiação de 22 mil dólares. De quebra, Slater, que compete em Newcastle desde que tinha 18 anos sem nunca ter conseguido vencer, ainda tirou um ‘perfeito 10’ pouco antes de quebrar acidentalmente sua prancha favorita quando faltavam 5 minutos para o final da bateria. Foi obrigado a remar freneticamente para a areia sobre metade da prancha, pegar uma outra e voltar para a água a fim de garantir a vitória. Acabou com 18,10 pontos de um total possível de 20 e com mais um troféu para sua coleção. Depois, ele disse que a badalação em cima da guerra dos sexos acabou aliviando a pressão de seus ombros. O alagoano Tânio Barreto foi o brasileiro melhor colocado, ficando na quarta posição. Depois dessa etapa, o ranking do WQS voltou a ser liderado pelo brasileiro Marcelo Nunes, com Neco Padaratz na oitava posição. Mais de 300 surfistas competiram no WQS de Newcastle durante essa semana, e o resultado e a história toda da etapa ajudam a provar que a declaração de Neco não foi tão tendenciosa assim.
NOTAS
MAIS WQS
Kelly Slater não foi para Margareth River, primeiro seis estrelas do ano, para ficar treinando em Bell´s, onde a partir de segunda-feira começa a segunda etapa do WCT. Perdeu as melhores e maiores (15 a 18 pés) ondas da perna australiana.
SURFE NA POROROCA
Picuruta, o big rider californiano Peter Mel e o shaper Gary Linden estão no Amapá para gravar um documentário para a TV canadense na próxima Lua cheia.
MUNDIAL DE WAKEBOARD
Começa amanhã na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio, a primeira das seis etapas do primeiro circuito da modalidade. Paralelamente estarão sendo disputados o Brasileiro e o Latino-Americano.
