Tá a fim de conhecer o Zezão e seus flops? Calce as botas, pegue uma lanterna e prepare o nariz, pois eles ficam numa galeria que quase ninguém vê: a rede de esgoto de São Paulo
Todo fim de semana Zezão calça as galochas acopladas à calça de homem-rã, pega uma lamparina, uma lata de spray azul-marinho, tinta látex azul-clara, a máquina digital e uma escada e desaparece nos subterrâneos de São Paulo. O objetivo é agregar cor ao tom pastel das paredes já textu-rizadas ? pelo lixo e ação da água ? da rede de esgoto da cidade. São quase 22 mil quilômetros de uma genuína galeria underground.
A única coisa viva lá embaixo ? com exceção dos bichos escrotos ? é a arte de Zezão, expressa no flop. A estética é fruto da fragmentação do throw up (letras gordinhas feitas em 3D e duas cores). O artista começou abstraindo as letras de Vicio, alcunha mais usada por ele. Fazia o V maior, esticava o C, invertia a ordem, e assim chegou ao flop, sempre feito com o azul-claro e o azul-escuro. A criação começou a se multiplicar em 2000. Com o tempo, dezenas de flops podiam ser não-vistos no subsolo paulistano.
Atualmente, sua idéia é revelar cada vez mais o lugar pouco acessível. Aos 33 anos, com dez dedicados à arte de rua, Zezão tem trazido o mundo subterrâneo para o mundo real por intermédio das fotos e depoimentos que publica no mundo virtual, em seu fotolog (www.fotolog.net/viciopifdst). Ele quer investir na fotografia e cogita organizar uma exposição em várias galerias ? do esgoto, é claro. Alguém se habilita a prestigiar o artista?