por Fernando Gueiros
Foi vendo o waterman Laird Hamilton descer morros de água com uma barca no pé e um remo na mão que Fabio Chati, shaper de 41 anos, inspirou-se para produzir pranchas de stand up paddle – modalidade criada no Havaí no início do século passado para ir de uma ilha para outra em pé na prancha. “Tem que saber remar”, afirma o paulista que, entre shapes e ondas, treina canoa havaiana na raia da USP. O stand up surfer explica mais da modalidade
Como é feito o equipamento do stand up paddle? A construção usa técnicas das pranchas de windsurf. Elas são feitas com blocos EPS [um material semelhante ao isopor] e resina epóxi. Eu uso uma com 12 pés de comprimento [cerca de 3,5 metros], 28 polegadas [71 centímetros] de largura e 51/4 polegadas de flutuação, mas esses números podem variar dependendo da finalidade: travessia ou surf. O remo é feito de madeira e em média tem 6’8’’. O conjunto demora de um a dois meses para ficar pronto. A prancha sai por cerca de 2.800 reais. O remo fica entre 400 e 450 reais.
Como é a prática do esporte? O stand up é usado em travessias, mas tenho praticado para pegar ondas. Aprender a virar a prancha para se posicionar é o grande desafio. A remada é feita com os pés paralelos, sempre em pé. Exige muito equilíbrio. Depois de dropar, você coloca os pés de acordo com a sua base. O remo não tem cordinha, fica solto e você tem que ficar esperto para ele não cair ou para você não se machucar quando estiver trocando de mão durante a onda. A preocupação não é fazer uma superbatida ou manobras radicais, mas, sim, correr a onda e curtir.
Que preparo precisa ter? Acho que é um esporte que envolve maturidade. É para curtir, administrar a respiração, ganhar um bom físico e abrir a cabeça para o surf. O manuseio é complicado. O ombro dói muito. Mistura explosão com habilidade. É 50% surf e 50% remada. Como todo esporte, quanto mais se pratica mais se radicaliza.
Vai lá: Os contatos do shaper Fabio Chati são (11) 3875-5253 e (11) 9720-0983. Seusite é www.chati.com.br
Movidas a remadas
As primeiras mulheres a praticar o stand up paddle são brasileiras. Em 2005, Maria de Souza (à dir., na foto), 36, e Andrea Moller, 26, ficaram em terceiro lugar no Quicksilver Paddleboard Edition, no Havaí. Foi a estréia do esporte na competição e elas eram a única dupla feminina entre os seis times inscritos. Completaram as 32 milhas (cerca de 59 quilômetros) do perigoso canal entre as ilhas de Molokai a Oahu em 6h40. A dupla também inaugurou o tow-in feminino ao surfar as gigantes ondas de Jaws. Maria foi casada com Laird Hamilton, pioneiro na modalidade e pai de sua filha Isabela, 12. Há dois anos, quando ela e Andrea decidiram se arriscar em territórios até então desconhecidos, os companheiros de mar não botaram fé. “Pedíamos para nos colocarem na onda e eles tinham receio de que nos machucássemos”, conta Andrea. ”Hoje, passam em casa para me chamar para surfar.” (Ariane Abdallah)
