Neco Padaratz confirmou seu favoritismo em Sunset Beach, Havaí, e, mesmo ficando em nono lugar na disputa final, entrou para a história do surf profissional como o único surfista a conquistar um bicampeonato do WQS em anos consecutivos. Não bastasse o feito de Neco, o Brasil tem agora sete dos 13 títulos já disputados na divisão de acesso, o que confirma nossa hegemonia nessa fase do tour e aumenta as esperanças para que estejamos chegando perto de fazer um campeão mundial na primeira divisão, o WCT.
Até o momento a perna havaiana está sendo generosa com os brasileiros. Além da grande conquista do caçula dos Padaratz, na mesma praia de Sunset Renan Rocha praticamente assegurou seu retorno para o WCT em 2005 e Bernardo Pigmeu, com o terceiro lugar em Haleiwa, deu um passo importante para obter a vaga.
Dependendo de uma combinação de resultados no Rip Curl Pipeline Master, que encerra oficialmente a temporada no dia 20 de dezembro, Armando Daltro, Victor Ribas, Guilherme Herdy e o próprio Neco ? que já está assegurado pelo WQS ? têm chances de brigar pelas vagas restantes do WCT.
Já Peterson Rosa e Paulo Moura confirmaram seus nomes na divisão principal em 2005 porque aparecem em boas colocações no ranking do WCT. E Marcelo Nunes e Raoni Monteiro, melhor estreante da temporada e apontado por muitos como nosso atleta de maior potencial no tour, garantiram também um lugar ao sol do WCT do ano que vem já que fecharam o ano entre os 15 melhores do WQS, que sobem para a primeira.
Na ponta do lápis, portanto, podemos ter 10 surfistas no WCT de 2005. E, por que não, deixar complexos terceiro-mundistas de lado e acreditar que a conquista do título que ainda nos falta é possível.
Mas não é apenas isso o que nos reservou a etapa final do WQS. Porque, para quem gosta de histórias redentoras, Renan Rocha é o personagem do momento. Um dia depois de completar 34 anos, quando muitos acreditavam que seu momento no esporte havia passado, ele assegurou, em Sunset Beach, sua volta à divisão principal do surf mundial. E não apenas isso: é agora o surfista mais velho a conquistar acesso ao WCT. Antes dele, em 98, Mark Occhilupo havia conseguido acesso quando tinha 33 anos. E, um ano depois, Occy conquistaria o título mundial.
Se depender da experiência e da gana do paulistano Renan (a propósito o único paulistano do tour), um dos surfistas mais dedicados e batalhadores desse grupo, podemos esperar que ele figure entre os principais nomes do surf em 2005. Afinal, quem já esteve entre os melhores durante 10 anos, caiu e, aos 34 anos, consegue, na raça, o direito de voltar, saberá dar o valor exato ao triunfo. Até porque, para Renan, um seguidor da filosofia Gracie de jiu-jítsu, idade não quer dizer nada: ‘Idade está na cabeça de cada um, é apenas uma cultura imposta pela sociedade. Eu sou um garoto’.
Não fosse a excelente forma do havaiano Andy Irons ? que mesmo depois de assegurar o caneco do WCT 2004 ainda tem disposição para vencer em Sunset e entrar na briga pelo título da tríplice coroa havaiana ? 2005 poderia estar se anunciando como o ano do Brasil no WCT.
NOTAS
EXTRA DISTANCE 800 KM
Apenas 44 segundos separaram o bicampeão Julio Paterlini do segundo colocado Michel Bogli. Nos últimos 30 km os ciclistas pedalaram a cerca de 50 km/h, e terminaram com o tempo de 27h38.
MUNDIAL DE SURF FEMININO
Meninos em Oahu, meninas em Mauí. Com o título definido para a peruana Sofia Mulanovich, as brasileiras Tita Tavares (5ª) e Jacqueline Silva (6ª) tentam melhorar suas posições no ranking.
FESTIVAL PETROBRAS DE SURF
Prova com formato inédito reúne times com um longboarder, um surfista homem e uma mulher. Os campeões brasileiros de long e feminino, os estaduais e convidados iniciam as disputas amanhã na Barra, Rio.
