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Fundação O Boticário estuda a relação entre as mudanças climáticas e a biodiversidade da Mata Atlântica

em 19 de outubro de 2010

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A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza reuniu pesquisadores e especialistas este mês para o Seminário Impactos das Mudanças Climáticas sobre Espécies e Ecossistemas. O evento mapeou a produção científica sobre o tema, a fim de identificar lacunas de conhecimento sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade na Mata Atlântica. O resultado do encontro servirá de base para a estruturação de um edital de apoio a projetos capaz de contribuir para a solução das lacunas de conhecimento identificadas.

Os projetos serão financiados pela Fundação O Boticário e a intenção é formar um Polo de Pesquisas sobre Vulnerabilidade e Adaptação de Espécies e Ecossistemas às Mudanças Climáticas, que a organização pretende implantar em um período de pelo menos 10 anos. A base inicial do Polo será a Reserva Natural Salto Morato, que fica na região alvo de estudos, conhecida como Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá, na divisa do estado do Paraná com São Paulo, que preserva um dos mais importantes de remanescentes de Floresta Atlântica do planeta.

No seminário, participaram 37 representantes de ONGs, institutos de pesquisa nacionais, universidades e órgãos ambientais que desenvolvem trabalhos com foco a Mata Atlântica. Dentre os participantes, estão Rainer Fabry, secretário executivo do Centro Integrado para a Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica (In Bio Veritas); Humberto Ribeiro da Rocha, professor titular do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP); Maria Lucia Lorini, pós-doutora em modelagem espacial em biodiversidade e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Miguel Ângelo Marini, chefe do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília (UnB); e Margareth as Silva Copertino, professora do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande (FURG) e integrante de outras instituições de pesquisa em mudanças climáticas nacionais. Todos com pesquisas de destaque em conservação da natureza e em mudanças climáticas e seus impactos na biodiversidade. 

Redução de impactos

De acordo com a diretora executiva da Fundação O Boticário, Malu Nunes, o seminário e o Polo fazem parte de um projeto que tem como objetivo propor práticas de manejo que reduzam os impactos das mudanças climáticas sobre espécies e ecossistemas em áreas prioritárias para a conservação. “Nossa expectativa é de que os resultados das pesquisas possam contribuir para a elaboração de políticas públicas de proteção de áreas naturais, além de serem incorporados no manejo de unidades de conservação. Ao serem incorporados, espera-se reduzir a perda da biodiversidade causada pelas mudanças climáticas na Mata Atlântica”, afirma.

A região do Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá foi definida como prioritária para o projeto intitulado Impactos das Mudanças Climáticas sobre a Biodiversidade, que a Fundação O Boticário criou no ano em que celebra seu vigésimo aniversário. A região é considerada um dos maiores berçários de vida marinha do mundo, sendo de grande importância para a conservação de diversas espécies, fazendo parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco e um dos 34 hotspots* mundiais.

* Hotspots são áreas ameaçadas em mais alto grau, sendo consideradas prioritárias para conservação, com rica biodiversidade – pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas – e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original. A Mata Atlântica e o Cerrado são os dois hotspots brasileiros.

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