TEXTO E FOTOS CIRILO DIAS
Donita Sparks, ex-líder e vocalista do grupo L7 voltou a pisar em terras brasileiras com o objetivo de entreter e judiar dos ouvidos mais sensíveis com seu rock garageiro, só que dessa vez sob a alcunha de Donita Sparks and the Stellar Moments.
Duas apresentações foram necessárias para alimentar o espírito grunge dormente em muito marmanjo de 20 e poucos anos, uma em São José dos Campos, no minúsculo Hocus Pocus Bar – que causou momentos de histeria beatlemaníaca – e outra no espaçoso Clash Club, na cidade de São Paulo.
A julgar pelo show de outra banda grunge, o Mudhoney, que também já se apresentou no clube paulistano, a expectativa de filas monumentais regadas à camisas xadrez era certa. Mas a cena ao chegar no Clash era preocupante (do ponto de vista da produção), porém aliviante: nenhuma fila e absolutamente ninguém em frente aos portões. Dentro, umas 250 pessoas conseguiram lotar a parte próxima ao palco. Melhor para quem queria circular tranquilamente e beber sua cerveja.
Os fãs de Donita tiveram seus tímpanos devidamente afinados com as guitarras das meninas do Hats (SP) e dos goianos do MQN. Montado o clima, Donita Sparks coloca seu Stellar Moments pra ir na frente, provocar alguns gritinhos da platéia, e sobe ao palco em seguida, toda elegante, de peito estufado e profere, “Oi, eu sei que muitos de vocês estão aqui para ouvir músicas do L7. Mas antes disso, nós queremos ver vocês sofrerem”.
Músicas como “My Skins Too Shin” e “Curtains for Cathy” de seu recém-lançado Transmiticate foram alguns dos momentos de sofrimento prometidos pela donzela, e recebidos com empolgação pela platéia. Após uns 15 minutos, Donita atende aos sedentos e começa a sessão L7, com “Deathwish”, “Shitlist”, “Fast and Frightning”, “Fuel My Fire”, “Diet Pill” e “Pretend We’re Dead”, esta última com direito a um “Alala”, do Cansei de Ser Sexy. Resultado, momentos de histeria, e pessoas sendo levantadas e carregadas sobre a platéia, no melhor estilo grunge.
Tudo bem que Donita não consegue lotar um lugar com capacidade para mil pessoas, mas as poucas que foram ao Clash, conseguiram uma hora bem regada de rock.
