No próximo dia 28, a Lua vai estar em sua fase cheia e a apenas 357 mil quilômetros da América do Sul.
As condições estarão favoráveis para a formação da pororoca, a onda de maré que invade rios amazônicos arrastando árvores e escombros floresta adentro por mais de cem quilômetros.
O fenômeno natural acontece diariamente, mas nas luas cheia e nova, em especial no perigeu, quando a Lua está mais próxima da Terra, é que o nome pororoca, grande barulho na língua tupi, se justifica.
Mitos, lendas e também fatos reais ajudam a fazer a assustadora fama que a onda tem na região amazônica.
Por isso, quando uma expedição organizada pela Redley e pela ”Trip’ chegou ao Amapá há cinco anos a fim de registrar os atletas Eraldo Gueiros e Guga Arruda surfando a pororoca pela primeira vez, os locais acharam que eles estavam loucos.
Nos quatro dias de aventura, os experientes surfistas tiveram dificuldade para alcançar a onda, apanharam da espuma, ficaram enlameados, até que no derradeiro dia chegaram ao objetivo.
Tratou-se do primeiro registro de alguém em pé sobre uma prancha na doce e barrenta onda ”interminável’. Os surfistas locais dizem que, no mesmo ano de 97, Noélio Sobrinho, Gilvandro Almeida e Silvio Santos foram os pioneiros do surfe na região.
Após assistirem a um filme produzido pelo oceanógrafo francês Jacques Cousteau e por uma equipe japonesa que estudava o fenômeno, organizaram uma precária expedição para a ilha de Marajó e lá teriam experimentado pela primeira vez o surfe sobre piranhas e jacarés.
Dois anos depois, com o apoio da Prefeitura de São Domingos do Capim, no Pará, acontecia o primeiro campeonato de surfe na pororoca. Competindo contra os surfistas locais e os profissionais Wagner Pupo e Fabio Silva, o carioca Ricardo Tatuí, 33, venceu a prova, iniciando um reinado na competição.
Em 2000, o ex-integrante da elite mundial (WCT) ficou atrás somente do paraense Sandro Buguelo. No ano passado, porém, voltou a vencer.
Tatuí é presença certa na quarta edição da competição, que terá início na próxima quinta-feira.
Também Paulo Zulu e o cantor Gabriel, o Pensador, podem estar entre os oito atletas escalados para a prova. Além do campeonato que acontece nos rios Guamá e Capim, os paraenses parecem estar tentando, com a adição de shows de música e outras atrações, colocar o evento no calendário turístico local.
Eventos similares, em ondas de rios, realizados em países como a Inglaterra e a França são classificados como ”tidal bores’, algo como marés chatas, por surfistas experientes. Mas a pororoca é um tanto diferente.
As ondas passam de um metro de altura e entram à velocidade de 30 quilômetros por hora, o ambiente é absolutamente selvagem e, acima de tudo, o tempo possível de se ficar sobre a prancha é maior. Todos esses fatores tornam o campeonato especial.
Enquanto as mais extensas ondas marítimas do planeta permitem ao surfista algo em torno de um minuto deslizando, na onda de rio que deu o título a Tatuí, no ano passado, ele permaneceu manobrando por infindáveis oito minutos.
Skate inédito
Bob Burnquist é um dos seis convidados pela produtora 900 Films, de Tony Hawk, para inventar uma manobra, obstáculo ou combinado. A idéia é incentivar novas experiências como o looping ou uma rampa de saltos para gerar um documentário. Segundo Bob, que está trabalhando em casa, a TV foca só os campeonatos.
X Brasil
Começa hoje no Rio a eliminatória latino-americana dos X Games, que serão realizados em agosto nos EUA. Sandro Mineirinho e Fabíola Silva, mesmo com vaga garantida nos Jogos, irão competir -Bob somente se apresentará.
Tow in na lousa
O surfista e guarda-vidas brasileiro radicado no Havaí, Romeu Bruno, comanda o curso de surfe a reboque que começou ontem na G-Zero Store e termina domingo no Guarujá ou em Maresias.