A história começa com o Eddie Aikau, competição de um dia criada em 1986 para homenagear o guarda-vidas havaiano e que só acontece entre surfistas convidados quando as condições de swell e vento são ideais. Depois foi reforçada com o Quiksilver Men Who Ride Mountain, criado em 99 por Jeff Clark, pioneiro em Maverick?s, um dos mais famosos picos de ondas grandes. Quando Clark mostrou o que pretendia fazer, conquistou a atenção da mídia. E, para deixar os convidados ainda mais estimulados, um prêmio de US$ 30 mil foi oferecido ao vencedor. Tudo perfeito, não fosse a necessidade do swell gigante. Nos dois primeiros anos, com a Quiksilver por trás, a competição de Clark aconteceu sem imprevistos. Mas, na temporada 2000/01, o organizador, esperando as ondas ideais, foi adiando a chamada que daria início aos duelos e, quando se deu conta, a temporada tinha acabado.
Enquanto isso, em Jaws, Havaí, nascia na temporada 2001/02 em grande estilo a Copa do Mundo de tow-in. Ondas com faces de 60 pés varreram o arquipélago e, dada a atenção da mídia, o prêmio de US$ 60 mil e a presença de ícones do esporte, os organizadores tiveram a certeza de que tinham criado ali o ‘superbawl’ do surfe.
Mas, na temporada seguinte, esperando pelo swell ideal, a Copa do Mundo não aconteceu. Como também não rolou este ano, quando o prêmio seria de US$ 100 mil. Ironicamente, no dia 10 de janeiro, três dias antes do início do período oficial, o mar em Jaws cresceu assustadoramente. Como os organizadores ainda aguardavam a resposta de um potencial patrocinador, resolveram esperar um novo swell, na certeza de que, até 15 de março, ele viria. Não veio e os surfistas que estavam em Jaws para a Copa do Mundo, se não foram chamados para a disputa, pelo menos conseguiram se credenciar para o Billabong XXL, concurso que concede a quem dropar a maior onda da temporada um prêmio de mil dólares por pé surfado. Esta semana, os cinco finalistas do Billabong XXL foram anunciados e, deles, quatro saíram de Jaws em 10 de janeiro, entre eles o brasileiro Danilo Couto. O vencedor será anunciado no dia 16 de abril em Los Angeles.
O clássico Eddie Aikau, que nos últimos 16 anos só foi realizado cinco vezes e este ano tinha prêmio de US$ 50 mil, também não se concretizou, embora o swell tenha entrado; no dia 29 de fevereiro o período de espera foi encerrado.
Surpreendentemente, a única disputa que aconteceu foi em Maverick?s, onde Clark, depois de três anos, voltou à tona. Sem um grande patrocinador e sem esperar que o dia ideal se apresentasse, Clark deu luz verde no dia 28 de fevereiro quando o swell chegou a 15 pés. Não se tratou, portanto, de um dia histórico, mas a disputa foi a campo e Darryl ‘Flea’ Virostko levou a melhor e um cheque de US$ 10 mil. Clark, pelo visto, aprendeu a diferenciar o feito, o bem-feito e o perfeito. Este ano, optou pelo ‘feito’.
NOTAS
POR FALAR EM ONDAS GRANDES
A parada australiana 6 estrelas do WQS foi realizada em Margareth River e começou em ondas de 6 metros. Neco Padaratz levou a melhor, um cheque de US$ 15 mil e a primeira colocação no ranking da competição. Outro brasileiro, Raoni Monteiro, ficou em segundo.
TREINOS ARRISCADOS
O atropelamento de um grupo de elite do triatlon em Niterói, entre eles Sandra Soldan, com vaga em Atenas, chama atenção para uma situação que em São Paulo é ainda mais crítica. Na USP a rua da raia virou rota de fuga da marginal e na Bandeirantes, além dos carros existem os ladrões.
WAKEBOARD
O australiano Daniel Watkins venceu na abertura do Circuito Mundial no Rio. Marito, décimo, foi o melhor brasileiro.
