A temporada de inverno no hemisfério norte chega ao fim e com ela o período de inscrições para o Billabong XXL, o maior concurso de ondas grandes do mundo. A temporada 2005/2006 foi movimentada, com vários swells de onda grande chegando não só às tradicionais bancadas como também a algumas recém-descobertas. A costa basca espanhola, o Chile, a Tasmânia estão entre essas novidades. Mas, apesar de freqüentes, poucas ondulações atingiram os 50 pés este ano.
As ondas finalistas das três categorias, maior onda, maior onda na remada e maior tubo, já estão definidas e os vencedores serão conhecidos em Anaheim, Califórnia, EUA, no dia 14 de abril.
Fato inédito, nenhum brasileiro aparece entre os finalistas, o que pode ser justificado pela restrição criada pelos organizadores do concurso às ondas surfadas em Jaws, Havaí, um dos locais preferidos pelos big riders brasileiros e praia que definiu os três últimos vencedores.
Na categoria principal, aquela que premia com um mínimo de 60 mil dólares (ou mil dólares por pé surfado) o surfista que dropar a maior onda da temporada, os finalistas são o espanhol Ibon Amatriain, com uma onda surfada em sua terra natal; Ross Clarke-Jones, em Todos os Santos, México; Tyler Fox, em Ghost Tree, Califórnia; Brad Gerlach, também em Todos os Santos, no fatídico 21 de dezembro, o mesmo que valeu a Clarke-Jones uma vaga na final; e Flea Virostko, em Maverick’s, Califórnia.
Como todos os anos, não deve faltar polêmica na hora de medir, através de fotos e vídeos, o tamanho das ondas surfadas. Por causa da imprecisão da técnica do julgamento, a escolha fica quase subjetiva, o que gera discórdia e frustração.
A comissão julgadora é composta por editores, executivos e surfistas experientes. Juntos, eles tentam chegar à conclusão de quantos pés cada uma dessas ondas têm. Se por acaso decidem que duas ou mais são do mesmo tamanho, a discussão parte para a consistência da onda. E aí quando o julgamento passa a ser ainda mais subjetivo, abre espaço para polemizar o resultado.
Outro ponto de discórdia parece ser a menor importância dada à categoria “paddle in”, que premia o surfista que dropar, sem a ajuda de um jet ski, a maior onda da temporada.
Desde que o tow-in ganhou status de esporte, existe o racha: há quem diga que não se trata de surfe, mas sim de um esporte derivado do surfe já que, para entrar na onda, o sujeito precisa da ajuda de uma embarcação motorizada. Este ano, a categoria paddle in produziu finalistas dropando ondas de tamanho consideráveis, o que reascendeu a polêmica. Para piorar, o vencedor da categoria é premiado com um cheque de 10 mil dólares, o que deixa evidente, em medidas financeiras, a menor importância da disputa. E é justamente nesse ponto que o bicho pega, porque, para uma certa classe de surfistas, o fato de o atleta conseguir entrar na onda remando é mais difícil do que fazê-lo assessorado por um jet ski. É certo que qualquer um que entra remando pode entrar com um jet ski, mas o oposto não é verdadeiro.
Seja como for, no dia 14 de abril, aqueles que gostam de ondas grandes estarão ligados para conhecer os campeões dessa temporada. Apostaria em Brad Gerlach, Jamie Sterling e Shane Dorian.
NOTAS
Seleção brasileira no WCT
Com a presença do heptacampeão Kelly Slater, foi anunciado esta semana o patrocínio da Tim para o time de oito atletas do país que disputa a elite mundial. Slater ainda gravou um comercial para a marca com Pedro Muller e o veteraníssimo Arduino Colassanti, 69.
Ranking e cancelamento
Ao mesmo tempo que anunciou a criação do ranking sul-americano de surfe, a ASP South América comunicou o cancelamento do Reef Classic, reduzindo a cinco o número de provas na região.
Recordes no Everest
Ana Elisa Boscarioli tenta ser a primeira brasileira a alcançar o topo do mundo, enquanto Vitor Negrete e Rodrigo Raineri, por outra face, volta