Tarde de fechamento na Redação da Trip: com um calor danado, Savanna mostra seus dotes de crítica de cinema. Clique na foto pra ver mais
Por Savanna Samson foto Marcelo Naddeo
O diabo na carne da senhora Jones – DVD – (Vivid)
Quando li o roteiro fiquei tensa. Não imaginava como iria interpretar uma mulher depressiva e sexualmente reprimida. É tudo que não sou. Faço sexo o tempo todo e posso ter, além do meu marido, o homem que eu quiser. Mas o filme é simplesmente um clássico do gênero. As pessoas formavam filas enormes no cinema quando a primeira versão saiu em 1972. Eu não podia recusar essa oportunidade.
O orçamento era de 250 mil dólares, o mais caro de todos os tempos! Isso se reflete na qualidade cinematográfica. A edição foi particularmente competente. Por exemplo: na seqüência em que eu estava com um pinto na boca e ele, o pinto, transforma-se em uma cobra. Ficou muito realista. Pena que Paul Thomas, o diretor, não usou efeitos especiais, porque eu detesto cobras. Tive que contracenar e me envolver com várias delas.
O roteiro conta a história de uma virgem deprimida que se mata e vai para o inferno. Lá, o diabo lhe dá mais um dia para realizar todas as suas fantasias. Desculpa perfeita para tomadas de sacanagem furiosa – como a que contraceno com a grande Jenna Jameson, a diaba. Nos entregamos tanto ao papel que ganhamos como “melhor cena entre garotas” no AVN, o Oscar da indústria pornô. Outra seqüência de que me orgulho especialmente é uma de dupla penetração. Tive que me superar como atriz e decorar um enorme monólogo, criado de improviso por Georgina Spelvin no filme original. Me mantive focada no texto e na interpretação enquanto chacoalhava levando no rabo e na buceta. Mas houve química e tudo saiu muito bem. Graças a Deus não precisei repetir a cena. O roteiro alterna momentos sérios, de muito drama psicológico, com putaria mesmo. Espero que as pessoas levem uns cinco dias para assistir ao filme. Que se excitem com as cenas de sexo e resolvam trepar. Mas que não pulem nenhuma parte da história e voltem a assistir no outro dia e trepar de novo. Bem, resumindo, é um filme perfeito para assistir com alguém com quem você quer realmente foder.
Diaba velha é que faz comida boa…
e um comentário elegante sobre a versão orginal, também lançada em DVD
The Devil in Miss Jones (1972) é uma das pernas do tripé que transformou o pornô em gênero cinematográfico legítimo – os outros são Garganta Profunda e Por Trás da Porta Verde. É o melhor da safra graças a uma direção inspirada de Gerard Damiano (o mesmo de Garganta), uma trama envolvente, sexo de alta voltagem e uma estrela de verdade: Georgina Spelvin. Apesar de um tanto passada (à beira dos quarenta), miss Spelvin convence como a solteirona virgem suicida que se converte, por artes do capeta, em deusa-piranha da luxúria. Hi-lites: o sexo que não se limita a closes ginecológicos. O “Professor” de sacanagem (Harry Reems, o galã de Garganta). A seqüência lésbica de miss Spelvin com sua então namorada na vida real. A patética cena final com uma ponta do diretor Damiano. E, sobretudo, a trilha sonora que por aqui foi utilizada de telenovela da Globo a comercial de sabão em pó. Um must!
(Mario Mendes, editor da revista Daslu)
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