Essa tal sofrência

Com música até em novela da Globo, Pablo, a Voz Romântica, continua a tradição nacional de cantar as ressacas do amor

por Cleiton Campos em

Trip / Amor / Música

Tão importante quanto o amor, na música brasileira, são as dificuldades do amor – as traições, os abandonos. Toda uma parte do cancioneiro nacional é dedicada à boa e velha dor de cotovelo, ou à fossa, como se dizia na época mais melancólica do samba-canção.

Hoje, quem cuida de manter o sentimento vivo é uma vertente do arrocha conhecida como "sofrência", neologismo criado unindo as palavras sofrimento e carência. E na sofrência, Pablo, a Voz Romântica, é realeza por aclamação."Certa vez, em um show no interior da Bahia, tinha um cartaz: Pablo, o Rei da Sofrência. Achei o máximo", conta. "A sofrência é aquela boa dor de amor, de ouvir canções que falam do amor, que machucam."

Sucesso do último Carnaval, o hit "Porque homem não chora" dominou as paradas populares: das rádios melosas às ruas de comércio informal, só se ouve Pablo. O arrocha agora chegou também à Rede Globo, como trilha da novela I love Paraisópolis. "Homem chora, sim. Claro que chora. Quem nunca sofreu por aquele amor que foi deixado?", questiona o autor da canção, que tem feito até marmanjos marejarem em seus shows.

Natural de Candeias, na Bahia, Pablo se chama Agenor Apolinário dos Santos Neto e canta profissionalmente desde a infância. No início dos anos 2000, quando integrava o grupo Asas Livres, criou o ritmo que ficou conhecido como arrocha, uma reinvenção do brega, mais lento e sensual, com toques de forró e teclados eletrônicos. O arrocha logo dominou os bailes da periferia baiana, com diversos artistas dedicados ao gênero.

Foram quatro discos com o grupo até Pablo partir para a bem-sucedida carreira solo em 2010. O cantor soma mais de 2 milhões de likes em sua página oficial do Facebook e realiza em média 25 shows por mês. "As pessoas se identificam muito, porque eu canto o amor que é realmente vivido", diz. "Não importa o rótulo, é o amor o responsável."

Apesar do repertório, do sucesso e do assédio das fãs, Pablo está feliz ao lado da mulher, com quem se casou aos 15 anos. É muito amor.

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