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Esporte fino

Acima, o fotógrafo Daniel Klajmic, 32 anos, um apaixonado por carros antigos e o feliz proprietário do Opalão 1972 Luxo que ilustra esta página. Sobre a fama de beberrão para o uso diário, por causa do motor 4.1, o tradicional “seis canecos”, Daniel argumenta: “Ele bebe? Eu não acho.”

POR LUIZ GUEDES JR. FOTO PAULO FERREIRA

Sentado sozinho à beira da estrada de ferro, o sujeito recusa a carona oferecida pelo maquinista. E dispara a frase que viraria hit na boca do povo: “Meu carro vem aí”. Antes de lançar o Opala no país, em 1968, a Chevrolet inundou a TV com comerciais e, nos 25 anos seguintes, o modelo reinou absoluto. Vendeu algo em torno de 1 milhão de unidades e conseguiu um feito impensável: ter um design sóbrio o bastante para agradar a nobres e a praticamente 100% da classe política; e esportivo o sufi ciente para fazer frente a Mavericks, Dodges & cia.

Para manter a eclética clientela satisfeita, a Chevrolet disponibilizava duas opções de motor: 4 cilindros, mais econômico, um tremendo sucesso na crise do petróleo dos anos 70; e 6 cilindros, carinhosamente chamado pelos fãs de “seis canecos”. Montado na apimentada versão SS, o propulsor mais potente transformou o Opala em um especialista na arte de deixar aquele perfume de borracha queimada no ar.

Outra faceta inesquecível foi a sua utilização na polícia. Ao lado da irmã mais velha, Veraneio, o classudo veículo botava a gatunagem em pânico com roncos graves e freadas bruscas – algo, segundo os próprios policiais, improvável com as Blazers e os Corsinhas atuais.

Porém, com a abertura das importações nos anos 90, o Opala virou dinossauro. Chegou ao fundo do poço, ganhou estigma de “carro de mano” e passou a ser temido por seus antigos proprietários no trânsito. De uns tempos para cá, entretanto, teve início o movimento de resgate. O bom e velho Opala da periferia está voltando às garagens nobres, agora com apelo de automóvel antigo. E comprova o ditado: quem foi rei nunca perde a majestade – ou até perde, mas apenas temporariamente.

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