Ícone do site Trip | Conteúdo que transforma

Épocas e Manias

A vida é feita de épocas e o surf é cheio de manias.
Todo mundo tem sua época e suas manias.
Eu já contemplei várias cenas memoráveis no mundo do surf. Coisas que acontecem em diferentes épocas e ficam na lembrança.
Aqui pelo Brasil, quando comecei a surfar no Guarujá em 1974, Picuruta-, Lequinho, Almir, Coquinho, Orelha, Cristian Wolters, Cisco, Paulo Rabelo, Orelhinha eram os santistas bons da época. Paulo Tendas, Neno do Tombo, Tarzan, Sérgio Gorilão, Roberto Alves, Roberto Teixeira, Olavo Rolim, Zanotto e muitos outros eram os nomes quentes aqui no Guarujá.

(na foto, da esq. para dir., Cinira, Iazinho, Martin Potter, João Maurício, Taiu e Zecão, na Indonésia, em 1985)
Numa sessão de surf nas Astúrias, em 1975, presenciei um moleque magrinho, moreninho e minúsculo eletrizando as ondas. Foi a primeira vez que vi o Tinguinha em ação. Nessa época eu iniciei o surf.
Depois, passei bons momentos de época no Rio de Janeiro, nos tempos dos campeonatos internacionais no Arpoador.
Apesar da criminalidade, o Rio continua sendo a Cidade Maravilhosa. Enquanto Brasília governa e São Paulo trabalha, o carioca curte a vida naquele pedaço especial do planeta.
Caras como Daniel Friedman, Rico, Targão, Pepê, Bocão, Jefferson, André Pitzalis eram os líderes do esporte. Depois surgiu Roberto Valério, Renan Pitanguy, Valdir Vargas, Broca e Cauli, que eram da geração próxima, seguida depois da minha com Rosaldo, Coelho, Luis Leal, Quinta, Baixinho, Pedro Secco, Guingo e Fred Dórey, os melhores do mundo em ondas pequenas e médias, principalmente no quintal de sua casa, o Árpex.
Em 1979, passei o mês de julho num apê alugado em Copacabana. Paulo Galvão, Marcelo Medeiros, Totó, Alex Alemão de Pernambuco, Cisco de São Paulo e eu dividíamos o apê.
O Alemão de Pernambuco, com sua descendência germânica, tinha certa similaridade física com o então popular Cheyne Horan, que surfava muito nos campeonatos internacionais do Rio. Naquela moda de patinação, o Alemão foi confundido com ele pelo DJ da pista de patinação do Canecão. A galera deu a maior pilha para ele ir falar como se fosse o Mr. Australiano. Ele foi, enganou todo mundo ali presente. Foi muito engraçado, mas alguns cariocas não gostaram…
Hoje em dia, Rio é a surfcity, a jiujitsucity mundial. Respeito… Marcelo, Rodrigão da Prainha, Anselmo, Wallid, Gracies, todos sangue bom.
Muitos mares, arrebentações e jatos de água voaram das ondas no caminho da evolução do esporte.
Nos anos 70, o surf era totalmente discriminado como coisa de vagabundo e maconheiro. Não só os surfistas mas também muitos jovens eram rebeldes e estavam descobrindo as drogas. Era a época psicodélica e a droga talvez fosse moda ou mania…
Hoje em dia, existem surfistas que usam drogas, assim como outras pessoas também usam. Mas, o número de caretas no esporte surf aumentou e muito.
Se a pessoa quer ser a melhor no que faz, ela tem que se preparar, pois a competitividade para o sucesso é grande. Se usar qualquer substância e criar dependência, ela também criará um problema a mais na sua vida. Para qualquer um, principalmente um competidor ou um surfista de ondas grandes, isso é péssimo.
Veja exemplos como Kelly Slater que conseguiu conquistar seis títulos mundiais. Pergunte a ele se ele acorda e fuma um baseado. Logicamente a resposta será NÃO.
Este certamente não é o caminho para se tornar um superatleta.
Manias saudáveis de um surfista são muitas, começando com o hábito de dormir cedo e acordar ainda à noite para ir surfar. Outra boa mania é não parar de viajar. A raça do surf é nômade. Outra que alguns têm é a mania de surfar ondas grandes.
Ninguém nasce com manias, vai adquirindo… Foi o que aconteceu comigo. Cheguei a ponto de me sentir normal em mares gigantes no Havaí. Mania de doido…
Mais surf manias?
O estilo da passada de parafina cada um tem o seu. Colar o deck também é personalizado. Alguns assoam o nariz saindo do tubo e outros colam bolinhas de parafina no deck, perto do bico. Eu gostava de mascar um pedacinho de parafina com cheiro de chiclete enquanto boiava esperando a série.
Manias são pessoais e fazem parte do surf…

Nas próximas três semanas, publicaremos mais três crônicas do e-book Alma Guerreira, de Octaviano Bueno, o Taiu, surfista profissional que sofreu um acidente nas ondas do litoral paulista e ficou tetraplégico. O e-book está à venda no site Klickescritores

Sair da versão mobile