A baía de Waimea não é mais o último desafio em ondas gigantes no Hawai. Os outside reefs estão sendo a cada dia mais e mais explorados.
Além das muralhas perfeitas quebrando lá fora, quando todo o North shore está close-out, a praia de Waimea oferece várias vantagens. É uma tradição surfar ali no point, tem a facilidade para estacionar o carro na igrejinha e é fácil olhar as ondas das pedras antes de cair.
Além de ser extremamente agradável para se passar o dia, essa praia tem as vibes. Lá era o ponto de trabalho do legendário Eddie Aikau, salva-vidas e exímio big rider. Também foi o lugar onde os pioneiros da década de 50 desbravaram o bigsurf.
Os antigos havaianos louvavam o point por seu power nas ressacas, tornando-o um lugar sagrado. Eles provavelmente não surfavam lá. O vale de Waimea com a cachoeira, a praia maravilhosa e o oceano amedrontador era um lugar perfeito e sagrado para os antigos enterrarem os reis.
Lá foram realizados campeonatos épicos, como o Smirnoff 74, quando Reno Abellira ganhou com ondas de 20 a 25 pés, clean e clássico. Quem conhece um pouco a carreira de Mark Richards, tetracampeão mundial, sabe que ele ganhou o Billabong em 85 e 86, e que houve um dia de competição em Waimea nas duas edições.
Outra lenda dali aconteceu no Billabong, em 85, na bateria em que estavam Almir Salazar e Mark Richards. Nessa bateria, na hora em que fechou a baía, o Almir foi pego pela série e foi tomando todas as ondas na cabeça, agüentando a turbulência debaixo d’água até a areia.
Quando Waimea quebra, as ondas sempre vencem. Em toda série, há ondas em que ninguém vai. Ninguém se atreve. Nessas horas é Waimea que manda…
Existem alguns brasileiros que humildemente se infiltram no crowd e pegam sua cota. Não citarei nomes para não politicar mais essa. Tem brasileiro bom hoje.
A real é uma só, quem se garante vai ao outside. Quem dropa mesmo, sabe o que acontece por ali. Quem apenas sonha, pode curtir o néctar vendo fotos ou ficando nas pedras assistindo seco e seguro.
Um aviso: o caldo de Waimea dói até o osso.
Se quiser encarar, esteja físico-psico-equipo preparado.
A crônica acima está no livro Alma Guerreira, de Octaviano Bueno, o Taiu, surfista profissional que sofreu um acidente nas ondas do litoral paulista e ficou tetraplégico. O e-book está à venda no site Klickescritores
