Por Fernanda Danelon
Poucas coisas marcam tanto um homem quanto os lanches da infância. Que o diga Marcel Proust: o protagonista do clássico Em busca do tempo perdido tem suas memórias despertadas por uma bocada numa madeleine. Como o escritor francês, a geração que cresceu nos anos 80 vem fazendo um trabalho de arqueologia afetivogastronômica em busca da larica perdida. Em fóruns na internet, mesas de bar, almanaques e também na Redação da Trip, marmanjos (e marmanjas) tentam recordar quais foram as guloseimas que mais marcaram seus anos pueris. Como cada época tem o lanche que merece, no lugar das madeleines, os nomes lembrados foram: o pirulito Dip N’ Lik, o gelado Ice Pop, o leitinho Glut, os chicletes Mini, as balas Soft, os lanches Mirabel, entre outros. A Trip ouviu uma turma que cresceu na chamada década perdida para tentar descobrir qual é o bocado mais lembrado por aquela geração. Para o bem e para o mal, deu os cigarrinhos da Pan na cabeça – infelizmente banido das lanchonetes de todo o país pela correção política.
“Eu adorava os cigarrinhos da Pan. Incrível porque o chocolate é tosco, mas todo mundo gosta… Acho que é por causa da memória afetiva, tem um sabor quase de conforto… Sempre que eu encontro balas e doces com cara vintage coloco para vender na loja Do Estilista.” Marcelo Sommer, estilista
“Eu pirava nos palitinhos da Elma Chips, que eu comia na escola da Cohab 2 onde eu estudava. Stiksy com Gini, aquele refrigerante de limão, que vinha numa garrafa verde, pequena, era a combinação perfeita.” Xis, rapper e apresentador da Play TV
“O cigarrinho Pan eu fumava direto [risos]. Lembro do lanchinho Mirabel também. Eram duas cores, eu gostava do verde, que era de chocolate. Tinha a bala Juquinha, que era foda, muito bom.” Cazé, apresentador da MTV
“O lanche Mirabel era muito ruim e aquele cigarro do neguinho era uma merda. Sinto falta do Delicado, do Q-Refresco, que vendia nas carrocinhas… Mas, vem cá, vocês não têm nada mais importante pra perguntar?” Supla, cantor
