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Electro-Kaká

Entrevista concedida a Luara Calvi Anic
Fotos: Divulgação

 
Os sons de uma buzina, Kraftwerk, Serge Gainsbourg e a música pop francesa dos anos 60 deram um encontrão na Europa. O resultado dessa sopa, o electro-kitsch, o poperô- brega idolatrado pelo povo da moda e por habitués de baladas noturnas mais alegres e simpatizantes, foi parar na boca de uma loira e na guitarra de um rapaz com um jeito, assim, digamos, delicadamente maquiado de ser.

Els Pynoom, a buzina dos cabelos dourados, 1,80 de altura, metade só de pernas, que ela exibe em vestinhinhos pretos, cheios de frisos periguetes, e Danny Mommens, músico e produtor, juntos, num palco, formam o duo belga Vive la Fête. Na véspera de sua segunda visita ao Brasil, para um show num clube noturno paulistano, a Trip trocou umas linhas de e-mail com Pynoom.

A vocalista, que muita gente otimista e lunática anda comparando a Jane Birkin, falou sobre tocar num desfile do estilista alemão Karl Lagerfeld, da Chanel, contou como foi gravar o mais recente disco, Grand Prix, lembrou da apresentação no Abril Pro Rock, há dois anos, e declarou um amor lotado de curiosidade pela moda brasileira e por… Kaká.
 
A marca Louis Vuitton tocou algumas de suas músicas durante a pré-apresentação da coleção 2001. Vocês também tocaram num desfile da Chanel. A banda é obviamente uma queridinha da moda. O que acha disso? Eu tomo como um elogio. Fico lisonjeada por essas pessoas com quem trabalhamos pedirem para usar nossas músicas. Para nós é tudo uma grande aventura. Não sabíamos nada sobre moda e agora conhecemos gente fantástica. Sou muito grata a isso. Tenho muito respeito por Karl Lagerfeld e todos os outros estilistas porque sei como é difícil sobreviver nesse mundo.
 
Você conhece a moda brasileira? Gosta de algum estilista? Conheço a moda brasileira pela televisão. Nenhum estilista em especial. Não vejo a hora de ver alguma coisa quando chegarmos. Queremos checar tudo! Conheço apenas a Coopa Roca [www.coopa-roca.org.br]. O jeito que eles trabalham me intriga bastante. O impacto social é importante de ser um projeto de reciclagem é maravilhoso!

Que acha de voltar ao Brasil depois de dois anos? Qual foi sua impressão da primeira vez? Estou muito curiosa. Sei que vai ser completamente diferente do Recife. Ouvi muita coisa sobre São Paulo e estou lendo bastante no momento. Posso dizer que estamos ansiosos porque ainda lembramos do tempo que passamos aí como se fosse ontem! Só tenho boas lembranças do Brasil. Adoramos a receptividade das pessoas, eram tão calorosas e amigáveis, sorrindo o tempo inteiro. O clima é ótimo, a natureza, linda, a comida, ótima. E tem a Amazônia… Viva o Brasil! Viva o Brasil!

O que achou do público brasileiro? Eles não entendem o que a gente canta, mas não estão nem aí. Mesmo assim continuam dançando e cantando e se divertindo.

Gosta de música brasileira? Adoro Gilberto Gil! Ouvi dizer que ele virá para a Bélgica neste verão [europeu]. Vamos tocar junto num festival em Bruxelas, o “Couleur Café”.

Como foi fazer o disco novo? Gravamos tudo em um mês. A cada dois dias tínhamos uma nova canção pronta. É ótimo trabalhar dessa maneira. Acreditamos que essa coisa da “primeira idéia” é muito impulsiva e honesta. Acho que evoluímos… eu pelo menos espero que sim. Grand Prix é menos electro que os outros discos, tem mais guitarra, mas ainda tem nossa cara.

Como você define seu som? Existe esse monte de rótulos, electro… Não é exatamente electro porque tocamos tudo ao vivo. Electro puro soa muito frio. Eu preciso de pessoas de carne e osso no palco, não apenas máquinas. Chamamos de Pop Kitsch, uma música fácil para todos. Mas em casa eu gosto mesmo de ouvir jazz.
 
Por último, qual a sensação de vir ao Brasil durante a Copa do Mundo? Gosta de futebol? Acho que a cidade vai estar lotada de gente doida. Será muito especial. Estou feliz por ter a chance de estar aí. Gosto de futebol quando são jogos importantes, como na Copa do Mundo. Meus jogadores favoritos são o Ronaldo, o Romarino [uma mistura cheia de arte de Romário e Ronaldinho, um erro de digitação ou um misterioso craque belga?]… Ah, e o Kaká, claro!! 
 
Vai lá:
Vive la Fête na The Week – The Week (r. Guaicurus, 324, São Paulo). Sexta-feira, 23/06, a partir das 22h. Informações no 3818 3030. Ingressos à venda nas lojas Chilli Beans, em São Paulo, Wraps e lojas King 55. Preços: R$ 50,00 (antecipado) e R$ 70,00 (na porta). Estudante paga meia na Chilli Beans Higienópolis (pça. Vila Boim, 53) e na do Centro (r. Marconi, 58)

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