Desde o dia em que a surfista Andréa Lopes (foto) se tornou a primeira brasileira a vencer uma etapa do Mundial de Surfe da primeira divisão, o WCT, muita coisa aconteceu com o surfe feminino por aqui, exceto provas válidas pelo Mundial.
Em 1999, competindo como convidada, Andréa conquistou o Alternativa Pro no Rio de Janeiro. Essa foi a última vez em que as garotas da elite do esporte correram atrás de pontos para o ranking em praias brasileiras.
Apesar disso, o crescimento da categoria segue firme. Há muito tempo o bodyboarding deixou de ser a unanimidade entre o eleitorado feminino, que, de pranchinha, funboard ou pranchão, hoje é presença certa nos line ups de todas as praias em que haja ondas surfáveis.
E, ainda que ocorram situações primárias, como a que deixa uma das melhores atletas do país de fora do circuito mundial por falta de patrocínio, algumas representantes do país ainda conseguem alcançar bons resultados, trazendo mais combustível para a categoria.
Em 2000, Tita Tavares conquistou o primeiro título da divisão de acesso – WQS – para o país, ela que foi a primeira mulher na história do esporte a tirar uma nota 10 numa prova da ASP, a CBF do surfe. No ano seguinte, foi a vez de Jacqueline Silva vencer o WQS num aquecimento, para em 2002, alcançar o melhor resultado brasileiro na elite do esporte: o vice-campeonato mundial do WCT.
Tita, Jacqueline e mais Silvana Lima, Taís de Almeida, Cláudia Gonçalves, Bruna Schimitz, entre tantas outras, voltam este ano a ter a oportunidade de competir com atletas estrangeiras aqui no Brasil. Até então inédito no país, este ano contamos com duas importantes provas do WQS: uma já realizada no início da temporada no Costão do Santinho, SC, vencida pela indiazinha potiguara da Baía da Traição, PB, Diana Cristina, 16; e a segunda que começou ontem em Itacaré, BA, e vai até domingo.
O Billabong Girls Pro Itacaré terá, na verdade, duas semanas de competição, começando com a etapa do WQS e emendando com a prova que marca a volta do WCT feminino ao Brasil, na semana seguinte. Uma volta triunfal, já que pela primeira vez será uma prova exclusiva para mulheres. Quinze das 16 atletas que disputam a principal divisão já estão na Bahia para a disputa do WQS, além de se adaptarem às condições locais para alcançar um bom resultado na quarta etapa do WCT.
Duas australianas chegam ao Brasil com especial ambição. Melanie Redman-Carr, líder da temporada com três vitórias e 100% de aproveitamento, tenta manter a invencibilidade que virtualmente lhe garantiria o título da temporada. E a hexacampeã Layne Beachley, vice-líder, tem interesses muito além das ondas. Em outubro, Layne terá sua estréia como organizadora de eventos quando irá realizar a mais rica prova em 30 anos de surfe feminino, o Havaianas Beachley Classic, em Manly Beach, Sydney, Austrália, patrocinada pela fabricante brasileira de sandálias. Ou seja, uma marca australiana patrocinando evento na Bahia e uma brasileira bancando outro na Austrália. Interessante.
Mundial de surfe WQS (França)
Resíduo da punição por doping, o atual líder do ranking, Neco Padaratz, é a grande ausência do Grand Plage seis estrelas em Lacanau. O evento começou na terça e vai até domingo.
Brasileiro de Kitesnow
Corralco, Chile, é onde os snowboarders brasileiros se encontram para a inédita disputa na América do Sul. Surgida na França, a modalidade reúne fundamentos do snowboarding e do kitesurfing, aproveitando o vento das montanhas e a superfície de neve.
Paulista de Wakeboard
Cerca de 90 competidores divididos em 10 modalidades participarão no próximo final de semana da segunda etapa do Circuito no Clube Náutico de Araraquara. A novidade é a introdução da modalidade wakeskate.
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