Efeito estufa

No futuro de Ilkka Halso, a natureza que restou vira atração turística e peça de museu

por Ricardo Calil em

No futuro imaginado pelo finlandês Ilkka Halso, o homem tenta preservar (e explorar) o pouco do meio ambiente que ele não destruiu. Em suas montagens, a natureza vira atração turística, peça de museu ou uma espécie em extinção protegida em estufas

No futuro, a natureza será uma atração de um parque de diversões, uma peça de museu a ser restaurada, uma espécie em extinção protegida em uma gigantesca estufa. Ao menos esse é o futuro imaginado pelo artista plástico finlandês Ilkka Halso em duas séries de obras que formam um dos avisos mais assustadores – e, ao mesmo tempo, fascinantes – sobre a deterioração nas relações do homem com o ambiente.

Na série “Restauração”, Halso montou instalações de árvores sendo recuperadas como se fossem obras de arte raras, relíquias antigas. Já em “Museu da natureza”, criou montagens que misturam fotos reais de paisagens e construções humanas manipuladas digitalmente em 3-D. Daí resultaram imagens fantasmagóricas como a de uma montanha-russa sobre um lago em uma região inabitada, uma floresta de pinheiros abrigada em uma enorme galeria de ferro e vidro ou uma cachoeira que deságua em um teatro vazio – que poderiam ser os cenários de um filme de ficção científica perturbador.

Em entrevista à Trip, Halso diz que enxerga suas obras mais como panfletos visuais do que experimentos estéticos – nos quais o homem tenta preservar (e explorar) o pouco do meio ambiente que sobreviveu à destruição promovida pelo próprio homem. “Meu trabalho quer mostrar, de forma irônica, que nós estamos perdendo nossa relação ‘natural’ com a natureza, que vem sendo transformada em fonte de lucro e de experiências turísticas”, afirma.

A reação mais comum de alguém que depara com um trabalho do “Museu da natureza” é perguntar: “Mas essas imagens são reais?”. Não são. Mas, para Halso, elas poderão ser em breve. Para o finlandês, a prova de que sua visão do futuro – já exposta em galerias da China, EUA e vários países europeus – não está tão longe da realidade veio de um visitante de uma mostra realizada na Alemanha. “Ele me contou que viu um documentário sobre a montanha-russa da minha fotografia. Só que ela só existe no computador. A realidade mais uma vez venceu a ficção.”

Mesmo pessimista, Halso diz ter certeza de que o mundo não vai acabar em 2012. Estará apenas pior, muito pior.

Vai lá: ilkka.halso.net

 

Crédito: Ilkka Halso
Crédito: Ilkka Halso
Crédito: Ilkka Halso
Crédito: Ilkka Halso
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