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Educação física

O que era para ser mais uma loja de surf acabou se transformando num grande complexo de esportes não convencionais.

Por Ana Paula Canestrelli // Fotos Marcelo Andrade

Visualize cerca de 100 barcos longos e estreitos, cada um com seis pessoas dentro, remando através de um canal de mar azul entre ilhas. Esse é o cenário da mais importante corrida de canoa havaiana do mundo, a Molokai-hoe, que acontece todo ano no arquipélago. Pouco conhecido no Brasil, esse tradicional esporte agora está muito próximo do paulistano, mais precisamente nas águas de Maresias. Quem trouxe a novidade para cá foram o empresário João Befi, 43 anos, e o engenheiro Eduardo Mendes, o Dadi, 42.

Esportistas nas horas vagas (Dadi é surfista e Befi pedala, corre e joga tênis), os dois se juntaram em 2005 para abrir uma loja de surf em São Paulo, mas acabaram indo bem mais longe. Com a ajuda de mais quatro sócios e um investimento de 3 milhões de reais, a dupla inaugurou em novembro o Quarup, um espaço de quatro andares em frente ao famoso shopping paulistano Iguatemi que propõe a integração de diversos esportes de aventura, desde rapel e ciclismo até montanhismo e mergulho. Menos de dois meses depois, seguindo o fluxo migratório da população paulistana durante o verão, o grupo não perdeu tempo e abriu uma base avançada na praia de Maresias, litoral norte de São Paulo, no fim de dezembro.

“A inspiração surgiu quando visitamos a Adventure Sports Fair (feira de esportes radicais realizada todo ano na Bienal do Ibirapuera) e vimos todas aquelas modalidades ali, lado a lado. O surfista hoje não é só surfista, ele também corre e pedala, o filho dele anda de skate e a esposa gosta de mergulhar. E nós percebemos que ainda não existia um espaço dedicado a esse público específico”, conta Befi. O próprio nome já resume o conceito do projeto: Quarup é uma festa indígena em homenagem aos mortos que reúne todas as tribos da região do Xingu para promover a união de seus povos. Dessa mesma forma, a idéia da loja é representar a cultura de praia comum a todos que praticam esportes em contato com a natureza, oferecendo um mix de equipamentos e roupas. Lá é possível encontrar produtos exclusivos, como as bikes da marca italiana Bianchi, todas feitas sob medida, e as disputadas pranchas de surf do shaper Xanadu, brasileiro radicado na Califórnia. Considerado um dos melhores do mundo, ele acredita que o conceito quarupiano funciona muito bem numa cidade como São Paulo, repleta de atletas à paisana.

CULTURA HAVAIANA
Já a versão litorânea é, como o próprio Dadi define, uma verdadeira arena de esportes: mountain bike, mergulho, trekking e escalada são algumas das modalidades que podem ser praticadas ali com a orientação de profissionais da área, como o campeão paulista Douglas Lima, que dá aulas de surf. Mas a atividade mais cobiçada do verão foi a tal da canoa havaiana, que na verdade é polinésia. “Essas embarcações eram usadas em longas travessias pelos polinésios, os primeiros desbravadores do Pacífico a chegarem ao Havaí. Naquela época, as canoas eram movidas a remo e a vela e levavam até 100 pessoas”, explica Edilson Assunção, o Alemão de Maresias, surfista profissional local que foi preso no Equador (veja Trip # 57) e, hoje, de volta ao esporte e a sua terra, comanda o projeto.

Com mais de 14 metros de comprimento e menos de um de largura, o barco do Quarup é uma réplica que leva sete remadores de cada vez. O trajeto é leve, com uns 20 minutos de remada até uma baía tranqüila, onde todos podem relaxar. “Durante o passeio eu passo um pouco de história para o grupo e ainda dá pra pegar umas ondinhas na volta com a própria canoa. O surf é na verdade uma extensão disso, por isso é importante resgatar e ensinar o valor das culturas havaiana e caiçara a essa galera mais nova, que já gosta do esporte e do contato com o mar desde cedo”, ressalta Alemão. A base de Maresias ficou aberta até o começo de março. “Estamos estudando a possibilidade de montar um espaço permanente na praia. Mas no próximo verão estaremos de volta com certeza”, afirma Befi. Apesar disso, Alemão quer manter a canoa havaiana por lá o ano inteiro. “Também estou conversando com a AACD de São Sebastião para trazer deficientes físicos para conhecer o esporte”, conta o surfista.

Subindo a serra de volta para São Paulo, está prevista para este mês a abertura do centro de treinamento do Quarup, no último andar da sede na Faria Lima. “Será uma academia personalizada, onde esportistas de todos os níveis poderão ganhar preparo físico para melhorar a performance na sua modalidade. O objetivo não é estético, mas, sim, exercitar o movimento específico de cada atividade durante a prática esportiva”, explica Dadi. Quem quiser entrar nessa passa primeiro por uma entrevista com um treinador para esclarecer seus objetivos e planejar a malhação. Tudo isso com o apoio de massagistas, acupunturistas, fisioterapeutas e até psicólogos, se necessário. “Nosso propósito é cuidar do ser humano como um todo, oferecer um espaço onde a pessoa possa tratar de seu corpo, sua mente e seu estilo de vida”, resume Dadi.

Em sentido anti-horário:
acima, o local Alemão comanda a canoa que traz a cultura polinésia para Maresias; paredão de escalada com vista para o mar; fachada da nova “aldeia” da tribo dos esportistas em São Paulo em plena avenida Faria Lima.

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