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É ferro

Realizado pela primeira vez na cidade de Florianópolis, SC, o Ironman Brasil 2001 reuniu 500 participantes e coroou dois argentinos – o primeiro e o último colocados

Cinqüenta mil bananas, 20 mil laranjas, 20 mil maçãs, 2 mil melancias, 20 mil caquis, 10 mil quilos de bolo, 5 mil quilos de massas, 500 quilos de frango, 300 quilos de molho de tomate, 2 mil litros de canja de galinha, 300 quilos de uvas passa, 500 quilos de castanha de caju, 500 quilos de amendoim, 500 quilos de banana desidratada, 300 quilos de pão especial, 15 mil litros de água, 10 mil litros de isotônico, 10 mil barras de proteína concentrada, 20 mil saquinhos de carboidrato concentrado e mil quilos de gelo. Parece o balanço anual do Ceasa, mas se você tivesse que garantir a reposição energética de 500 triatletas – que chegam a perder cerca de 10 mil calorias enquanto nadam 3,8 quilômetros, pedalam 180 quilômetros e correm 42,1 quilômetros -, a listinha não soaria exagerada.
Em seu quinto ano, o Ironman Brasil 2001 reuniu, no dia 26 de maio, cinco centenas de participantes na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina [as últimas quatro edições aconteceram em Porto Seguro, BA]. A prova é a única seletiva da América Latina para a final do Circuito Mundial de Ironman que será realizado dia 6 de outubro, em Kona, no Havaí. A escolha de Florianópolis não aconteceu por acaso, destaca Núbio de Almeida, diretor geral do Ironman Brasil: A topografia do local é perfeita e muito semelhante à do Havaí.

PERNALONGA PORTENHO
Com o tempo de 8h11m10 – a melhor marca da história da prova brasileira e também o principal resultado do ano nessa distância no mundo -, o argentino Eduardo Sturla, de 27 anos, venceu o Ironman Brasil 2001. O brasileiro melhor colocado foi o carioca Alexandre Ribeiro, 36, que terminou em nono lugar, com o tempo de 8h39m59. O grande favorito e tricampeão da prova, o norte-americano Ken Glah ficou em terceiro. O alemão Faris el Sultan, que liderou a prova desde o início e foi ultrapassado por Sturla quase no final dos 180 quilômetros de ciclismo, acabou em segundo.
No feminino, não houve surpresa: a canadense Wendy Ingraham liderou a prova de ponta a ponta e não foi ameaçada em nenhum momento, cravando o tempo de 9h10m02. Na seqüência, chegou a carioca Fernanda Keller, com 9h14m12, quebrando o recorde sul-americano feminino da prova, que já era seu.
O argentino Sturla, que dá aulas de educação física para sobreviver, nem viria para o Brasil, pois estava sem patrocínio. Um amigo ganhou uma passagem num sorteio e lhe deu o prêmio. O título garantiu a ele US$ 10 mil, dinheiro mais do que suficiente para pagar o empréstimo do amigo e ainda lucrar algum. Este é o segundo Ironman de que ele participa neste ano. Em março, foi sexto colocado na Nova Zelândia.

NA RABIOLA

Com quase o dobro do tempo do primeiro colocado – 16 horas e 2 minutos – o também argentino Jorge Angaut, de 68 anos, ficou em último no Ironman Brasil 2001. Leia, a seguir, o seu depoimento:

TRIP Qual a sensação de chegar em último lugar na prova de triatlo mais
difícil do mundo?
JORGE ANGAUT Apenas a de chegar, que era meu propósito.

TRIP Você acredita no ditado que diz que os últimos serão os primeiros ou
quem ri por último ri melhor?
ANGAUT Não acredito em ditados.

TRIP Quantos dias e horas você treina por semana?
ANGAUT Duas horas por dia, seis dias por semana.

TRIP Há quanto tempo pratica triatlo? Qual foi a sua melhor colocação?
ANGAUT Pratico há mais ou menos 16 anos e já participei do Ironman três vezes, no Canadá, Porto Seguro e, agora, em Florianópolis. No Canadá não cheguei em último, ganhei de vários participantes.

TRIP Você se considera um Ironman?
ANGAUT Não, continuo sendo apenas um homem.
(Alessandra D’abbieri)

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