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Dubversão

POR FILIPE LUNA

Graves fortes, vocais etéreos, eco e efeitos sonoros que entram e saem de potentes caixas de som. O dub, nascido na Jamaica na década de 60, é uma maneira de fazer música que altera substancialmente uma canção original, deixando-a mais “viajandona” e psicodélica – com a bateria e o baixo realçados. Primo-irmão do reggae, foi alçado à condição de arte por mestres do estúdio e da manipulação sonora como King Tubby e Lee Perry e se tornou muito influente para a música popular de hoje. No Brasil, o gênero vive um momento especial e foi redescoberto em festas promovidas por sound systems [enormes aparelhagens de som]. Mais: ele chegou às paredes das galerias de arte, como a Mínima Galeria, no Rio de Janeiro. Por lá, durante o mês de agosto, a exposição “Visões Dub” reuniu diversos trabalhos inspirados no ritmo jamaicano. “Pedimos para os artistas não se preocuparem com estereótipos”, afirma o DJ e publicitário Chico Dub, um dos curadores do evento. “Não queríamos coisas de Bob Marley, nem de preto, amarelo e verde [cores da bandeira da Jamaica]. Apenas pedimos para colocarem em seus trabalhos o que o dub passava para eles.” Os artistas são pouco conhecidos do grande público, mas têm afinidade com o tema e são respeitados no meio em que circulam. Pedro Rossi, MPC, Maurício Valladares, Javier Posada, entre outros, produziram trabalhos que vão de fotografias a ilustrações, passando por colagens e vídeos.É claro que o som não deixou de marcar presença no ambiente. Três DJs e dois VJs faziam projeções ao vivo num telão. “Queríamos trazer o ambiente da festa para dentro da galeria”, conta Chico Dub, que deve levar a exibição para outras cidades do Brasil, como Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. Por enquanto, o que está acertada é uma nova edição do “Visões Dub”, de 29 de outubro a 27 de novembro, no centro de arte experimental Espaço Repercussivo [tel. 21 3325-5000], também no Rio.

 

 

 

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