Duas faces, dois estilos, diferentes objetivos e, queira Deus, diferentes desfechos. A temporada ainda está no início, mas muita coisa já rolou na mais alta montanha do mundo.
Na face norte, o francês Marco Siffredi, 23, tentava pela segunda vez descer de snowboard a partir de 8.848 metros do topo até onde a neve permite, a cerca de 6.400 metros de altitude.
Alpinista renomado, guia em Chamonix, grande esquiador e snowboarder, ele foi pioneiro em várias aventuras nas montanhas francesas. Em 1999 descobriu o Himalaia e fez o cume do Cho Oyu e do Shishapangma, descendo de ambos deslizando em sua prancha.
Em maio do ano passado, em sua primeira expedição ao Everest, Marco chegou ao topo do mundo. Completou a escalada antes mesmo que os sherpas que o guiavam. Às seis da manhã já fixava suas botas à prancha e iniciava a descida. Duas horas e meia mais tarde, finalizava com sucesso a primeira descida de snowboard na montanha. Um marco histórico.
Foi eleito ?rider of the year? em 2001, mas, apesar do retrospecto vencedor, continuava discreto, evitando exposição na mídia. Tanto que voltou ao Everest neste outono sem nenhum grande patrocinador. Seu objetivo era descer surfando a face Hornbein, no lado tibetano do Everest.
Acompanhado de dois sherpas e um francês, formavam a única expedição no lado norte da montanha. Depois de três semanas de muita neve, Marco teria sido visto por binóculos no topo e iniciado a descida.
A aventura deveria terminar horas mais tarde no Glaciar Rongbuck, mas ele nunca chegou lá. O rastro da prancha termina a cerca de 8.500 metros, depois disso nada. E não há sinal de avalanche. As buscas na expectativa de encontrá-lo com vida foram interrompidas. Por esses dias, uma Puja, cerimônia para os deuses da montanha, será realizada em sua homenagem.
Do outro lado da montanha, com patrocínios de peso e grande estrutura, a expedição ?O Brasil no topo do mundo?, liderada pelo alpinista Waldemar Niclevicz, que, até ontem pretendia se tornar o primeiro brasileiro a chegar ao topo do Everest sem o uso de oxigênio suplementar, se prepara para o decisivo ataque.
Há quase dois meses na montanha, o grupo, que conta ainda com os brasileiros Alir Wellner, Irivan Burda e Marcelo Santos e pretende também chegar ao cume do Lhotse, já viveu alguns revezes.
Logo no início da escalada boa parte do acampamento um foi varrido por uma avalanche. Montado pelos sherpas que apóiam a expedição, nenhum brasileiro se machucou no incidente, mas parte dos suprimentos e equipamentos foi comprometida.
Há cerca de dez dias, depois de encarar neve na altura do peito, o grupo estava no acampamento três pronto para o ataque ao cume, mas teve que desistir devido às condições do tempo.
Ontem Niclevicz e os outros integrantes da equipe completavam o quarto dia a 7.300 metros de altitude se preparando para os 1.548 metros decisivos. Os brasileiros estão entre as primeiras equipes a escalar a face sul este ano, o que significa mais trabalho para amassar a neve e fixar cordas.
O tempo está bom e a previsão meteorológica ainda melhor. O ataque final dura cerca de 20 horas e pode estar rolando neste momento. Vamos torcer para que amanhã eles possam estar fazendo uma Puja de agradecimento.
BloX ? Festival de escalada
Mais de 500 praticantes são esperados em São Bento do Sapucaí, SP, para a terceira edição do evento. No próximo dia 12, os participantes explorarão os 130 lances do Blocos do Serrano e, no dia 13, haverá um desafio.
Kitesurfe
O brasileiro Marcelo Cunha ficou em quinto na etapa do Mundial disputada em Hyeres, França. A segunda etapa do circuito OI, que seria disputada na semana passada, foi adiada para o próximo dia 12, em Vitória, ES. Em seguida, a etapa decisiva na Costa do Sauípe, BA.
Título em casa
Numa bateria final empolgante, Jihad Kohdr (2º) superou Bernardo Pigmeu (4º) e conquistou o título sul-americano de surfe pro júnior. Jean da Silva venceu a etapa disputada na Ilha do Mel, PR.
Surfe ? Super Trial
A quarta etapa da segunda divisão nacional, que vale pontos também para o circuito carioca, começa hoje no Arpoador, RJ.