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DOIS WCT NO BRASIL?

Fui apresentado à onda do Abras em Fernando de Noronha, PE, por uma trinca de peso. Durante a realização do OP Pro em 1995, combinei de surfar pela manhã com os companheiros de pousada, Fábio Gouveia, Renan Rocha e Jojó de Olivença.
No meio da noite fui acordado e rapidamente saímos evitando qualquer barulho, menos para incomodar quem dormia, mais para evitarmos companhia. Assim caminhamos, calados quando passávamos perto da casa de algum surfista, enquanto a luz continuava para as corujas.
Ao chegarmos, aquecidos pela caminhada, algumas pranchas já se encontravam no local, devidamente presas pelas cordinhas aos tornozelos de seus donos, que dormiam numa varanda. O som sugeria que as ondas estavam lá, mas não podiam ser avistadas. Aguardamos a manhã chegar.
Durante a ansiosa espera mais surfistas foram chegando. Um buggie com quatro pranchas, outros mais caminhando, e quando a luz permitiu vislumbrar o caminho das pedras, uma dúzia de surfistas, entre profissionais e locais, além de mim, entraram no mar.
A onda do Abras é assim disputada. Nesse dia surfei poucas mas boas. Mais assisti o desempenho dos profissionais e o mau humor dos ilhéus, devido ao crowd.
Foi nesse canto abençoado de Noronha, no último final de semana, que as baterias decisivas do Hang Loose Pro aconteceram. Pelo que os presentes descreveram, as ondas chegaram a oito pés e alguns competidores consideraram como as melhores condições já encontradas numa prova no Brasil.
Cabe ao patrocinador o mérito da transferência do campeonato previsto para as praias da Cacimba e Boldró. Pode parecer estranho, mas houve surfista que resistiu à mudança e, pior, membros da organização que só cederam depois de muita insistência.
Fábio Silva, 28, foi o grande vencedor e, ao contrário do que foi noticiado, não foi nenhuma surpresa. Fabinho desempenha bem em qualquer condição de mar e acabou levando a bateria decisiva até com certa folga. Seu maior rival foi Neco Padaratz, que, assim como ele, desistiu de competir no WCT no meio da temporada 97.
Neco, que já voltou à elite mundial no ano passado, terminou em terceiro. Fabinho, com o resultado, reforçou seu discurso de que pretende voltar a competir na divisão mais importante do surfe mundial. O baiano Wilson Nora ficou em segundo e o potiguar Danilo Costa em quarto, ambos finalistas também no ano passado.
O Hang Loose está comemorando 16 anos de vida. Em 1986 a marca trouxe de volta o circuito mundial ao país com provas memoráveis. A partir de 92, quando o mundial passou a ter duas divisões, o H. L. perdeu importância, integrando o calendário do WQS.
A realização da prova em Fernando de Noronha é um caminho seguro para a recuperação do status que a prova já teve em nível mundial, e as ondas do Abras um argumento forte para a pretensão de promover a prova da segunda divisão (WQS) para a primeira (WCT). Se a França, sem nenhum competidor na elite e nenhuma tradição no cenário, já pôde ter três, por que não realizar duas por aqui?

NOTAS

G-Land
Depois de três anos fora do calendário do WCT, a volta do Quiksilver Pro da Indonésia estava prevista para este ano, mas foi abortada devido a instabilidade política no país. Em compensação, o patrocinador fará na França uma prova com a maior premiação da história do surfe profissional. Menos onda, mais grana!

Ilhabela
Uma corrida de 105 km, que inclui um quilômetro de natação, movimenta a Ilha sábado. Equipes de seis atletas terão até 14 horas para ir de um extremo ao outro incluindo a subida da Serra de Castelhanos.

Bodyboard
Três brasileiros ocuparam as primeiras posições da etapa de abertura do Mundial 2001 em Pipeline, Havaí. Neymara Carvalho ficou em terceiro, Daniela Freitas em segundo e Stephanie Petersen, que apesar de brasileira compete pela Austrália, em primeiro.

Maverick’s
Enquanto segue o período de espera do campeonato de ondas grandes, os interessados no assunto podem se entreter com o livro The Story of Big Wave Surfing, na amazon.com por US$ 24 mais postagem

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