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DOIS OU NENHUM

Começou mal e não terminou diferente. Ao menos para nós brasileiros, o Rio Surf International foi decepcionante. Por pouco não melou. Na véspera do início da competição, a prefeitura da Cidade Maravilhosa resolveu demonstrar todo seu zelo com o dinheiro público, atitude plenamente justificável, exigindo a prestação de contas dos anos anteriores, quando também patrocinou a etapa brasileira do Mundial.
Corre daqui, dali, ameaças, especulações, estresse, e o Brasil, que vem pleiteando sediar duas etapas do Tour, quase ficou sem nenhuma. Os organizadores da prova, apoiadores da gestão municipal anterior e o responsável pelas etapas passadas tiveram que fazer em dois dias o que poderia ser feito em meses, não foi solicitado.
Enquanto as tratativas políticas seguiam, o swell se ia. Com contas ou sem elas, a interferência do governador motivou o prefeito a liberar a verba, e o campeonato teve início.
Evento móvel, foi transferido da Barra para a Prainha, locação muito mais agradável e com ondas ligeiramente melhores. Além dos 11 brasileiros que disputam o WCT, o ‘time’ ganhou um reforço de três convidados, Léo Neves, Tadeu Pereira e Victor Ribas.
E, apesar desse contingente, surfando em casa e em ondas pequenas, teoricamente favoráveis, os brasileiros não foram longe na competição. Paulo Moura, Armando Daltro e Fabio Gouveia, em nono, e Peterson Rosa e Neco Padaratz, em quinto, foram os melhores. O que convenhamos, para o Brasil, ficou aquém das expectativas.
Teco Padaratz, que chegou ao Brasil como terceiro do mundo, errou na prioridade nos momentos decisivos da bateria e perdeu para o inglês Russel Winter, penúltimo do ranking, caindo três posições. Nessa fase o promissor Paulo Moura surpreendeu e despachou o atual vice-campeão mundial Luke Egan.
Na manhã de terça, o Rio Surf foi transferido para o Arpoador, onde, apesar de pequenas, as ondas estavam perfeitas. Entre os dezesseis competidores que seguiam na prova, apenas cinco brasileiros. Moura competindo com Rosa ficou por aí, assim como Daltro e Gouveia, que fez uma bateria com muito estilo com o atual campeão mundial, Sunny Garcia.
O que sobrou para o havaiano Garcia dentro d’água, faltou na areia. Ele agrediu o fotógrafo Beto Issa com a prancha e será julgado pela atitude na próxima reunião da ASP, na África do Sul. O lamentável fato pode acabar favorecendo Victor Ribas, responsável por outro episódio infeliz de agressão na semana passada nas Ilhas Maldivas. Ambos correm o risco de suspensão, mas, enquanto Victor corre apenas o ranking de acesso em 2001 (disputou no Rio como convidado), Garcia ocupa a quarta posição no Mundial.
Entre os quatro finalistas que competiram ontem no Arpoador, um americano e três australianos. Com a primeira posição no ranking garantida, C. J. Hobgood, da Flórida, perdeu para Mark Occhilupo, em melhor forma que no ano passado, de ressaca do título mundial de 99, e Trent Munro despachou o conterrâneo Joel Parkinson e depois Occy, para chegar ao seu primeiro título do WCT.
Agora, um lobby que envolve até o nome de Gustavo Kuerten tenta levar a etapa brasileira do WCT para Florianópolis.

NOTAS

AMOR À VIDA
Quatro anos depois de ficar desenganado devido a um câncer, o ciclista americano Lance Armstrong, 29, segue vencendo. Na semana passada, completou os 1.200 km do Tour da Suíça em primeiro e, neste sábado, vai atrás do tricampeonato do Tour de France.

MAIS BIKE
A dupla Michel Bogli e José Pinto foi a campeã, com novo recorde, 7 dias e 55 minutos, da Race Across America, prova com 4.800 km que cruza os EUA de costa a costa.

CORRIDA DE AVENTURA
A quarta etapa do Circuito Brasileiro começa neste sábado, com largada prevista para as 9h em São Sebastião, SP. As 30 equipes inscritas farão doações de agasalhos para os convidados locais. A prova terá 230 km.

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