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Diversão e arte

Não se sabe ao certo onde e quando foi que o homem deslizou em pé sobre uma "prancha" pela primeira vez. Em alguma ilha da Polinésia. Na costa peruana, sobre uma canoa-prancha, feita de uma palha batizada como cavalo de totora. No Havaí, onde, pela primeira vez, a atividade foi relatada por um ocidental, o capitão Cook, no fim da década de 1770… Essas são algumas apostas. Certo é que a prática surgiu como forma de expressão das habilidades individuais e estava também relacionada a cultos religiosos e dinásticos.

O surfe moderno tem poucas décadas de história, mas o ritmo acelerado da vida moderna e a velocidade com que as informações passam contribuem para que a nostalgia também chegue rápido.

Nos últimos anos a indústria do surfe atropelou estigmas, cresceu a cifras bilionárias, influenciou a moda, a música, a publicidade e todo o comportamento de uma geração. O estilo de vida ditado na praia ainda subiu a serra com o skate e foi mais alto na montanha com o snowboard. Nas competições, ondas impossíveis estão sendo domadas e manobras inimagináveis executadas, atraindo ainda mais praticantes e audiência para o esporte que está entre os que mais crescem.

Todo esse movimento é hoje percebido nas ruas e nas praias e exibido com destaque pela mídia. Mas existem formas mais simples, autênticas, contemplativas e até ingênuas de olhar para esse cenário, e é essa a proposta da Mostra Internacional de Arte e Cultura Surf, que abre a sua segunda edição no próximo dia 19 no MIS, Museu da Imagem e do Som.

Com menos espaço – a primeira foi no Pavilhão da Bienal – e mais tempo – vai até o dia 9 de outubro – Romeu Andreatta, organizador da mostra, espera superar os cerca de 30 mil visitantes da primeira edição. Para isso, ele e o curador Rosaldo Cavalcanti reuniram trabalhos que podem ser classificados em quatro áreas.

Pranchas: uma coleção com 60 modelos, selecionados do acervo de quatro colecionadores, oferece uma viagem no tempo e também na criatividade dos shapers.

Artes plásticas: a arte pop americana está migrando da Nova York de Andy Warhol para a Califórnia de John Severson. Em alguns trabalhos expostos essa tendência pode ser percebida, mas, nesse campo, o que ainda predomina é a ingenuidade e o amadorismo.

Fotografia: esta é uma praia na qual o surfe sempre nadou de braçada. A plasticidade do esporte, associada à beleza do cenário, contribui para o desenvolvimento de grandes profissionais, arte e registro jornalístico acabam se confundindo. Cinema: este ano a mostra traz o I Festival Internacional Osklen/H.Stern de Cinema Surf, reunindo clássicos como Storm Riders, grandes produções como Riding Giants, vídeos quase caseiros e bons como Second Toughs, e até o inédito Tow-in Surfing, produção nacional dos Estúdios Mega, patrocinador das duas edições da Tow-in World Cup em Jaws, Havaí.

Considerando a atual surf music – de Ben Harper, Donavan Frankenreuter e Jack Johnson – como referência e inspiração para essas outras formas de arte e expressão, muita coisa boa pode estar por vir.NOTAS

SUPERSURF
Final paraibana na Costa do Sauípe. No domingo, Jano Belo, 23, bateu Fábio Gouveia, 36, e ficou com o título dessa etapa do Brasileiro. O campeão nacional só será conhecido em Itamambuca, Ubatuba (SP), entre 13 e 17 de outubro. Oito surfistas ainda estão no páreo.

TRICAMPEÃO
Líder do ranking vertical 2005, o skatista Sandro Dias venceu no domingo a terceira e última etapa da perna européia do Mundial, em Montpellier, França. O brasileiro soma agora 3.800 pontos e já não pode ser alcançado.

DIA DE LIMPAR
Acontece neste sábado, pelo terceiro ano consecutivo, o Clean Up The World – Dia Mundial de Limpeza, que é realizado em 140 países. O objetivo é recolher o lixo espalhado pelas praias brasileiras e mundiais.

Folha de S.Paulo

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