Ícone do site Trip | Conteúdo que transforma

Decatlo de ação

Brincadeira de moleque, esporte pra maluco, discriminados até pouco tempo, os esportes de ação vão conquistando espaço no mainstream do mundo atlético. Os Jogos Pan-Americanos do Rio marcam a entrada de dois deles, o wakeboard e o BMX. Também conhecida como bicicross no Brasil, a modalidade, criada nos EUA no início da década de 70, foi baseada no motocross e figurará também como modalidade oficial da Olimpíada de Pequim, em 2008. O representante brasileiro no campeonato mundial – que pode garantir a vaga para os Jogos Olímpicos – é Deivlim Balthazar, 27. Dono de títulos nacionais, o engenheiro químico de Americana (SP) está há nove anos na categoria de elite do BMX. Abocanhou o Bicicross America’s e a primeira etapa do circuito brasileiro – classificatória para o Pan –, ambos em Paulínia (SP). 

O Bicicross America’s foi transmitido pela Globo e trouxe o BMX em grande estilo para o público. “Agora eles conhecem, mas ainda falta apoio da iniciativa privada”, constata Deivlim. “Sempre foi complicado arrumar patrocínios”, completa o rapaz, que teve trabalhos paralelos para garantir o sustento e manter a paixão de biker profissional. A modalidade estava há mais de uma década buscando espaço entre os esportes de destaque no mundo. Em Atenas, na Olimpíada de 2004, o BMX participou como modalidade de apresentação – sem valer medalhas. As bicicletas voadoras caíram nas graças dos organizadores e o que era sonho virou realidade. Em 2007 e 2008 a categoria está, respectivamente, confirmada no Pan e na Olimpíada. 

O Brasil está com um bom nível de atletas e pistas no bicicross. Deivlim garante que “São Paulo [capital e interior] tem totais condições de abrigar um torneio internacional” – em 2008 seremos sede do Pan-Americano de bicicross. Para o Pan do Rio, como país sede, há duas vagas asseguradas. Será difícil tirar a de Deivlim. Vencedor da primeira etapa do brasileiro, um bom resultado na segunda e última fase, em Rio do Sul (SC) em 28 e 29 de abril, já garante a presença. Provavelmente será acompanhado de Mauro Aquino, 19, outro fera da magrela. O bicicross conquistou seu espaço, assim como o windsurfe, que pouco mais de uma década após sua criação já estreava nos Jogos em 1984. A tendência é que os olhos dos organizadores se voltem para outros esportes de ação depois que o wind, o wake e o BMX entraram nesse mundo restrito. Quem sabe, por esta mesma porta, entrem o skate, a escalada, o kitesurfe e até o surfe, que, apesar das exigências geográficas, já mereceu a visita de representantes do COI em competições do Mundial da ISA.

Ainda pedalando, desta vez subindo morros um pouco maiores do que os do BMX, estão Julio Paterlini e Mario Roma, representantes brasileiros na ultramaratona de ciclismo Cape Epic, encerrada dia 31 na África do Sul. A dupla completou a travessia entre o oceano Índico e o Atlântico, de 886 km e com 16.045 metros de ascensão, em pouco mais de 46 horas. A prova é a maior do mundo no estilo. Entre os masters eles ficaram na 26ª colocação e no geral figuraram na 109ª – eram 603 equipes de 43 países.

Sair da versão mobile