Lance Armstrong, o ciclista que venceu uma metástase e cinco vezes o Tour de France, é a nova sensação da América. Às vésperas de uma nova edição da volta francesa, com a chance de conquistar um recorde absoluto, o seu rosto pode ser visto por todos os lados nos EUA: em livrarias (em outubro lança seu segundo livro: ?Every Second Counts?), em lojas de esporte (é patrocinado pela Nike) e em anúncios de TV. Como Guga fez com o tênis no Brasil, coube à Lance a honra de atrair a atenção do grande público para um esporte que não era popular por lá.
E foi com esse novo manto de popularidade que a 23a edição da Race Across America, ou RAAM, teve início na Califórnia no dia 20 de junho. Para quem não sabe o que é a RAAM, vale lembrar que a revista ?Outside? fez, há alguns anos, um levantamento de quais seriam os mais duros eventos esportivos do mundo. Provas como o rali humano Raid Gauloises e a ultramaratona californiana Badwater estavam, entre outras penitências-desafios-físicos-psicológicos, na lista. O primeiro lugar ficou com a RAAM, uma extravagância ciclística que acontece todos os anos desde 1982 e leva atletas a pedalar de San Diego, na costa oeste, a Atlantic City, na costa leste.
São 4.500 quilômetros, cruzando 14 Estados e subindo um total de 33 mil pés. Segundo a matéria da ?Outside?, um atleta que complete a prova precisará de seis meses para se recuperar. Mas a crueldade do desafio não está, como pode parecer, só na enorme distância a ser percorrida numa média de 9 dias. O que faz da Race Across America uma competição para homens e mulheres de aço é o ritmo. Quem escolhe participar da categoria solo, normalmente fica sem dormir nas duas primeiras noites. Depois da segunda noite e até o fim do desafio, dorme-se entre duas e quatro horas (no veículo que acompanha o participante) para um período de 24; no resto do tempo, pedala-se no ritmo mais forte possível.
Nas categorias dupla, enquanto um atleta pedala, o outro descansa, isso num intervalo que pode ser de uma hora durante o dia e chegar a duas horas à noite. No quarteto, as sessões de pedal são de 30 minutos a uma hora. O que significa que o atleta terá de uma hora e meia a três (enquanto os outros fazem a sua parte) para comer e dormir. Isso, evidentemente, de uma forma geral porque cada time traça a sua estratégia.
O Brasil tem história na RAAM. Em 98, Ricardo Arap e Alexandre Ribeiro venceram a categoria dupla estabelecendo um novo recorde: 7 dias e 10 horas. Em 2001, Michel Bogli e José Filho repetiram o feito quebrando o recorde em algumas horas. Além deles, João Paulo Diniz, José Carlos Secco e alguns outros atletas nacionais de endurance já provaram das emoções da competição. Este ano estamos representados por um quarteto (Michel Bogli, José Filho, Marcio Milan e Cássio Brandão), uma dupla (Ronaldo Mattar e Marcos Vinicius de Faria) e também na categoria solo feminina (Luiza Evangelista). Tudo começou em 1982 quando quatro amigos ciclistas se desafiaram a cruzar os EUA de bicicleta. Na prova em curso, a mais grandiosa até hoje, são ao todo 99 homens e mulheres em busca de uma grande superação física e mental.
NOTAS
SUPER SURF ANTECIPADO
A terceira etapa do Brasileiro começa na próxima quarta-feira em Porto de Galinhas (PE). Já a quarta, em Ubatuba, foi antecipada para dia 21 de julho para não conflitar com um WQS seis estrelas no Japão.
MAIS BIKE
Jaqueline Mourão, que representará o Brasil no mountain bike nas Olimpíadas, venceu no domingo, no Canadá, a segunda etapa do Campeonato Mundial de Maratona.
INVERNO NO ACONCÁGUA
Festa da TryOn hoje anuncia o novo projeto dos alpinistas Vitor Negrete e Rodrigo Raineri: guiar a inédita Expedição Invernal Brasileira na maior montanha das Américas (6.962 m).
