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Dá pra fazer melhor

Nem me lembro quando foi a última vitória de um brasileiro em uma etapa do WCT. Lembro da primeira, de Fabio Gouveia, no Guarujá, em 1990, um ano depois de estrear na elite. Lembro da segunda, a primeira no exterior, do mesmo Fabinho, na França, em 1991. Depois foi a vez de Teco Padaratz (foto), que nutria uma saudável rivalidade com o parceiro-irmão de equipe, Fabio, e começava a se sentir pra trás com as vitórias do colega. Teco venceu no Rio em 91, ano que terminou com outra vitória brasileira, novamente de Fabinho, esta no Havaí. Os dois estavam havia apenas três anos no Tour e já somavam quatro vitórias.

Nos anos seguintes, apesar do crescente número de brasileiros entre os melhores do mundo – chegamos a ter 11 representantes -, as vitórias foram diminuindo, mas continuamos registrando alguns grandes resultados: Fabinho, no Japão, em 92; Teco, numa espetacular vitória sobre Kelly Slater no ano que ele chegaria ao seu segundo título, em Hossegor, França, em 94; Ricardo Tatuí, em Biarritz, França, em 94; e Victor Ribas em Lacanau, França, em 95.

De lá para cá Peterson Rosa venceu no Rio, em 1998, e Neco Padaratz venceu em Huntington, Califórnia, EUA, após conquistar a vaga a partir das triagens, já que não estava rankiado na elite em 1999, e na França, país que lhe deu essa alegria em 2002 e no ano seguinte a tristeza de puni-lo pelo exame antidoping.

Ah, foi essa a última vitória brasileira no circuito, em 2002. Sem computar o período de 1976, quando o circuito foi realizado pela primeira vez, a 1989, porque não participávamos efetivamente, são quase 18 anos no Tour e 12 vitórias brasileiras, uma média pífia de 0,66% ao ano, e que fica muito pior ao considerarmos que a temporada tem 11 ou 12 provas por ano.

A sétima das 11 provas deste ano terminou no sábado em Lower Trestles, Califórnia. O campeão foi o australiano Bede Durbidge, 23, que estreou no WCT no ano passado e só se manteve na elite em 2006 graças ao resultado no WQS, o ranking de acesso. Para chegar à final, Durbidge não teve vida fácil, enfrentou pedreiras como Andy Irons e o atual vice-líder, Taj Burrow. Valeu, chegou à final com moral, iria precisar muito dela para enfrentar o heptacampeão mundial e defensor do título em Trestles, Kelly Slater. Não se intimidou e conquistou a sua primeira vitória no circuito.

Durbidge já ocupa a décima posição na elite e não é o único novato a surpreender na temporada; o americano Bobby Martinez, 32, disputa a sua primeira temporada de WCT e já ocupa a quarta posição, com a respeitável vitória em Teahupoo, Taiti, na soma de resultados.

Começamos muito bem a temporada, com Adriano “Mineirinho” de Souza chegando ao pódio e Raoni Monteiro ficando na quinta posição na etapa de abertura na Austrália, depois disso, entre contusões e desclassificações, chegamos à reta final do Tour disputando mesmo a ponta de baixo do ranking. Dá pra fazer melhor, os exemplos acima evidenciam isso. Amanhã começa a etapa francesa, país no qual temos o melhor retrospecto, uma boa oportunidade.

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NOTAS

MUNDIAL DE KITESURFE
Começam hoje em João Pessoa, PB, as finais de freestyle do Superkite Brasil 2006, nona e última etapa do circuito. O inglês Aaron Hadlow, 17, e o holandês Kevin Langeree, 18, disputam o título. No feminino a alemã Kristin Boese, 29, é a favorita para o bicampeonato, e a brasileira Bruna Kajiya, 19, pode ser vice-campeã.

SELETIVAS DO MUNDIAL DE SURFE PRO JR
Começa amanhã, no Rio, a primeira das quatro provas que definirão os sul-americanos que disputarão o Mundial sub 20 em janeiro na Austrália. São cinco vagas no masculino e duas no feminino.

PROVA DE CICLISMO 12 HORAS
Num circuito de 12,4 km em Paranapanema, SP, acontece a Momentum Super, que terá a largada no domingo, 24, à 0h, e as categorias solo, duplas e quartetos.

DOCUMENTÁRIO DE SURFE INÉDITO NA TV
O premiado “Fábio Fabuloso” será exibido neste sábado às 21h15 pelo SporTV.

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