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Cultura de praia

Por Daniel Salles

Onda, areia, sol e mar não combinam com livro, certo? Errado. Surf, por exemplo, é muito mais que um mero esporte praiano. É cultura de praia – num sentido bem amplo. As proezas em cima de uma prancha de poliuretano são um símbolo e um estilo de vida para muitas gerações. Mas mais do que isso: elas produziram histórias. Muitas histórias, com e sem as tais pranchas, capazes de inundar páginas e páginas de livros dedicados ao esporte.

No Brasil, muitos desses livros foram reunidos numa biblioteca única, a maior de que se tem notícia no país. São 167 obras organizadas por Romeu Andreatta Filho, editor da revista Alma Surf, e que têm como depositárias as paredes da sede da marca Lui Lui – consultas ao acervo poderão ser agendadas em breve pelo telefone (11) 3649-0000.

A biblioteca foi exposta ao público pela primeira vez durante a 2ª Mostra Internacional de Arte e Cultura Surf, realizada no mês passado no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Trip mergulhou na coleção, que inclui desde romances da década de 50 até títulos infantis, e selecionou alguns dos preciosos títulos para você conferir.

1 Dropar as páginas de Maverick´s, do jornalista Matt Warshaw, ajuda a entender por que muitos surfistas trocam as tradicionais águas quentes do Havaí pelas ondas explosivas de Maverick´s, na Califórnia, onde o fundo é rochoso e as correntes não são nada amigáveis. No livro, Warshaw narra a trajetória do lendário Mark Foo, um dos que fizeram a rota, mas que acabou perdendo a vida em sua primeira visita ao local.

2 Surfing: A History of the Ancient Hawaiian Sport, do antropólogo Ben Finney e do escritor James D. Houston, foi publicado em 1966 e é um importante compêndio da linguagem, cultura e história do surf em suas origens. Os autores reservam a maior parte da obra para explicar a simbiose entre o esporte e o Havaí e mostram a importância capital do surf na vida do lugar.

3 – 4 O surfista Mark Blackburn, autor de Surf´s Up, é um apaixonado colecionador de arte da Polinésia. Buscou em coleções particulares do mundo inteiro as centenas de itens que ilustram as páginas do livro. Ele também traça um interessante painel sobre pranchas, com guia de preços, e a história do esporte – dos seus primórdios, quando ninguém imaginava que fosse possível viver do surf, até 1969, o fim da era do longboard.

5 A molecada tem espaço garantido para dar suas braçadas rumo à leitura em Surf´s Up for Kimo. Escrito por Kerry Germain e ilustrado por Keoni Montes, o livro conta a história das peripécias de Kimo, um menino de 5 anos que queria brincar no mesmo playground que seus amigos mais velhos: o oceano.

6 Para quem ainda acha que surf não é cultura, Surf Culture – The Art History of Surfing prova o contrário. Organizado por Bolton Colburn e escrito por gente graúda como Tom Wolfe, um dos precursores do New Journalism, o livro faz um panorama sobre a ousada mistura das artes plásticas com o tradicional esporte havaiano. O resultado é um interessante coquetel de cultura pop, fotografias, gravuras e até óleos sobre tela, com projeto gráfico assinado por David Carson

Todas essas páginas, agora reunidas num mesmo espaço, são um exemplo claro de que a cultura surf não morre na praia.

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